Papelão e substância cancerígena ou exagero? O que se sabe - e o que é dúvida - na Operação Carne Fraca

Carne com papelão? Vitamina C cancerígena na salsicha? Desde que a Operação "Carne Fraca" da Polícia Federal foi deflagrada na última sexta-feira, as informações se espalharam pela internet e causaram pânico em muitos consumidores.

A BBC Brasil conversou com engenheiros de alimentos e especialistas em carnes para esclarecer o que pode e o que não pode ser adicionado no processamento de carnes e quais as preocupações que a investigação da PF deve despertar no consumidor.

Para alguns deles, a maneira como a operação foi divulgada acabou gerando uma desconfiança "exagerada" sobre a carne brasileira.

"A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para precipitar a loucura que foi na imprensa ontem", disse à BBC Brasil o médico veterinário e especialista em carnes Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.

A engenheira de alimentos Carmen Castillo, da ESALQ - USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), pontua que alguns ingredientes citados nas acusações, como o ácido ascórbico, são necessários para o processamento dos alimentos e é preciso tomar cuidado para não "demonizá-los".

"Não é problema usar esses ingredientes (em alimentos processados e embutidos), o problema é não respeitar os níveis permitidos na lei", disse à BBC Brasil.

De acordo com a Polícia Federal, esse seria um dos delitos cometidos pelas empresas, que utilizavam ingredientes no processamento de carnes em quantidades acima do que determina a regulamentação.

"Eles usam ácidos, outros ingredientes químicos, em quantidades muito superiores à permitida por lei pra poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mau cheiro", explicou o delegado da PF responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva na sexta-feira.

A operação deflagrada pela PF foi a maior de sua história e revelou que empresas do setor, incluindo as as gigantes JBS e a BRF, adulteravam a carne que vendiam no mercado interno e externo.

A investigação também revelou um esquema de propinas e presentes dados pelos frigoríficos a fiscais do Ministério da Agricultura, que supostamente recebiam para afrouxar a fiscalização e liberar a comercialização de carne vencida e adulterada.

Sobre as acusações, a JBS se manifestou dizendo que "é a maior interessada no fortalecimento da inspeção sanitária no Brasil", ressaltando que "no despacho da Justiça Federal que deflagrou a operação, não há qualquer menção a irregularidades sanitárias ou à qualidade dos produtos da JBS e de suas marcas."

A BRF disse que "apóia a fiscalização do setor e o direito de informação da sociedade com base em fatos, sem generalizações que podem prejudicar a reputação de empresas idôneas e gerar alarme desnecessário na população."

Exagero?
O delegado Grillo explicou os problemas encontrados na carne das empresas investigadas pela operação - que iam desde mudar a data de vencimento e a embalagem de carnes estragadas, que eram usadas como matéria-prima para embutidos, até injetar água em frangos para alterar seu peso e mascarar a deterioração de carnes com o uso de ácido ascórbico.

"São dois anos de análise de fatos, desde utilização de papelão por essas empresas - até essas que já citei de grande porte (JBS e BRF) - para colocar esse tipo de situação em comidas, pra fazer enlatados, e outras coisas que podem prejudicar a saúde humana. (...) Tudo isso mostra que o que interessa para esse grupo é o capitalismo, é o mercado, independente da saúde pública", disse.

"Determinados produtos, cancerígenos até, em alguns casos, eram usados pra poder maquiar as características de um produto estragado ou com cheiro."

Mas alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam o modo como as informações foram divulgadas como "sensacionalista".

"A divulgação da operação foi muito sensacionalista. Essa é uma questão pontual. Estou nesse mercado, estudando e trabalhando, há 30 anos. Uma das empresas que dirijo importava carne do Uruguai e da Argentinos até 2012. Hoje, 100% da carne que usamos é produzida no Brasil porque melhorou muito a qualidade", afirma Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill, em São Paulo.

Já Felício ressaltou a importância da investigação e disse que a operação revela um problema no setor, que "precisa de uma renovação no sistema de fiscalização". Ele destaca, porém, que é preciso esclarecer melhor as informações divulgadas sobre ingredientes comuns na indústria de carnes, como o ácido ascórbico, "que é utilizado no mundo todo".

Tanto Felício quanto Lazzarini apontaram o fato de que, ao anunciar a operação, a PF não explicitou quais infrações foram cometidas por quais empresas, o que facilitaria uma "generalização" do problema.

A BBC Brasil procurou a Polícia Federal, mas não obteve resposta até o fechamento dessa reportagem.

Papelão
Ao anunciar a operação, a PF mencionou que empresas envolvidas no esquema de corrupção "usavam papelão para fazer enlatados (embutidos)".

Em uma das ligações telefônicas citadas no relatório da Polícia, funcionários da BRF falam sobre o uso de papelão na área onde produzem CMS (carne mecanicamente separada, comumente usada na produção de salsichas).

No áudio, é possível ouvir:

Funcionário: o problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter que condenar.

Luiz Fossati (gerente de produção da BRF): ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos pagar rendimentos isso.

Pedro Felício acredita que a referência ao papelão não foi feita como ingrediente para o processamento da carne. "Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias que são chamadas de áreas limpas, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de papelão", diz.

"Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é o mesmo que usar papelão dentro da salsicha."

Em nota, a empresa BRF afirmou que "houve um grande mal entendido na interpretação do áudio capturado pela Polícia Federal".

A empresa afirma que um de seus funcionários falava que tentaria embalar a carne em papelão. O produto é embalado normalmente em plásticos.

"Na frase seguinte, ele deixa claro que, caso não obtenha a aprovação para a mudança de embalagem, terá de condenar o produto, ou seja, descartá-lo", afirma a empresa.

Ácido ascórbico
O ácido ascórbico - a popular vitamina C - também foi citado pelo delegado da PF como algo utilizado para "maquiar" o aspecto da carne.

"Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados cinco, seis vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom também", disse Grillo.

A partir daí, muitas pessoas entenderam que o ácido ascórbico é uma substância potencialmente cancerígena.

De acordo com a OMS, ela pode contribuir com distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e outros problemas de saúde se for consumida em excesso e por longos períodos de tempo, mas não há evidências de relação direta com o câncer.

Falta saber que substâncias cancerígenas estariam sendo usadas e por quais empresas, de acordo com a investigação da Polícia Federal.

Os especialistas alertam que o uso de ácido ascórbico na carne não é problema.

"O uso dele tem benefícios e não é para mascarar carne adulterada. Ele tem uma função nas carnes processadas como antioxidante, ajuda a melhorar a estabilidade do sabor e reduzir o teor de nitrito residual. O nitrito é um aditivo para realizar a cura, que é uma etapa importante no processamento da maior parte dos produtos processados. Todo ingrediente não cárneo tem função a cumprir no processamento de alimentos", afirmou Carmen Castillo.

Pedro Eduardo de Felício pontua que o ácido ascórbico "evita que a carne fique com uma coloração marrom" e que "isso é feito no mundo todo".

A substância, segundo Felício, conseguiria mascarar a deterioração da carne no princípio, quando ela só tem algumas manchas, mas não quando o estado é mais avançado.

De qualquer forma, ela só deve ser usada somente em produtos embutidos como parte de seu processamento, e não nas carnes que são vendidas como matéria-prima para estes produtos - nem nas carnes compradas no supermercado.

"A carne usada como matéria-prima não deve ter qualquer aditivo, nem o ácido ascórbico. Se a Polícia achou isso, não deveria acontecer", diz.

Salsicha de peru sem peru
A descoberta de que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem carne de peru - preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango - deu início à investigação de dois anos.

"Muitas vezes verificou-se a falta de proteína, por exemplo, numa merenda escolar, trocada por fécula de mandioca ou então a proteína da soja, que é muito mais barata do que a carne, então substituía. Muitas vezes até tinha a quantidade de proteína suficiente, mas não era a proteína da carne, era proteína de outro alimento, que não traz as mesmas substâncias pro corpo humano como a carne", afirmou o delegado.

O uso de soja e de fécula de mandioca são comuns na produção de embutidos em todo o mundo, segundo os especialistas, porém é preciso respeitar as quantidades determinadas pela lei.

"É preciso observar as quantidades usadas, porque elas só podem ser usadas dentro dos limites da lei. Senão, você tem um produto de carne que tem predominância de matérias-primas não cárneas", diz Felício.

Injeção de água no frango
Segundo a PF, fiscais teriam descoberto que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango do mundo, teriam "absorção de água superior ao índice permitido".

"Injetar água no frango é um problemão com o qual o Brasil vive e luta contra há muito tempo. Há oito anos que o Ministério da Agricultura é cobrado pelo Ministério Público que o frango não pode ter mais de 8% de água", afirma Felício.

"É uma luta difícil. Eu não duvido que isso aconteça muito por aí, mas existe um esforço para combater."

A prática não chega a ser prejudicial à saúde, mas altera o peso da carne. "É uma fraude econômica", diz o engenheiro.


Cabeça de porco
O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil. "Usavam cabeça de porco, animal morto, tudo para fazer esse tipo de produtos, principalmente esses derivados, salsicha, linguiça, e outros produtos", afirmou Grillo.

A utilização de cabeça de porco é admitida em outros países, segundo Felício. "Não será a melhor linguiça do mundo, mas não é prejudicial à saúde. Será um produto comestível, mas de categoria inferior."

"No Brasil, essa carne é considerada como matéria-prima nas formulações de embutidos cozidos, como mortadela, mas não em linguiças, que são cruas."

O consumidor deve se preocupar?
Segundo Sylvio Lazzarini, as irregularidades encontradas pela Polícia Federal devem ser punidas, mas não representam a totalidade dos produtos feitos no Brasil e vendidos em supermercados e restaurantes.

"A carne brasileira evoluiu muito nos últimos anos e é muito segura. Senão o Brasil não exportaria para os países asiáticos, e muito menos para os EUA, que tem um dos maiores controles fitossanitários do planeta", diz Lazzarini.

Para o empresário, "irregularidades desse nível existem em todo o mundo porque bandidos existem em todo lugar".

O Ministério da Agricultura divulgou nota também para acalmar os ânimos dos consumidores.

"O Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160 países. Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações", afirma a pasta.

O delegado da PF chegou a ser questionado na coletiva de imprensa se seria correto afirmar que "quase nenhum produto no mercado hoje está 100% livre dessas possíveis fraudes". Ele respondeu com cautela, mas não escondeu sua preocupação.

"É possível que a gente tenha consumido alimentos de baixa qualidade, no mínimo, com qualidade inferior do que deveria ser fornecido."

"Hoje é realmente complicado. Tenho ido ao mercado e passeio um bom tempo até escolher um produto, mudou esse aspecto na minha vida. É difícil porque a confiança que a gente tem nas empresas, pelo menos da minha parte, mudou muito. São empresas que a gente considerava corretas, então assusta. Obviamente deve ter empresas sérias, corretas, mas na investigação foi assim, foi aparecendo uma, depois outra. Acho que a gente pode dizer que todas as empresas que a gente teve o azar ou a sorte de investigar tiveram problemas sérios. Foram quase 40."

Para evitar problemas, Pedro Eduardo de Felício afirma que os consumidores devem conferir se os estabelecimentos de onde compram carne vendem produtos com certificação de origem e de inspeção, mesmo após as acusações de corrupção de inspetores federais.

"Este escândalo é de desvio de conduta de 33 funcionários, que foram afastados, entre mais de quatro mil inspetores. E o Ministério da Agricultura estar tomando atitudes para corrigir o problema. A partir de agora, todo mundo vai ficar alerta."

"Os erros que foram cometidos devem ser comprovados e punidos, com certeza. Mas eu não acredito que essas acusações possam ser generalizadas, acho que esse foi problema localizado e o governo terá que resolver", diz.

Fonte: BBC Brasil

Curta nossa página no Facebook



Ibuprofeno aumenta em 31% o risco de parada cardíaca

Em muitos países é possível comprar remédios como o ibuprofeno sem receita. As pessoas tomam esses medicamentos para todo tipo de dores sem maiores restrições. No entanto, as autoridades médicas e de saúde há tempo advertem que não são inócuos. Um estudo publicado esta semana na revista European Heart Journal concluiu que o ibuprofeno aumenta em 31% o risco de parada cardíaca. A mesma pesquisa indicou que outros fármacos do mesmo tipo, anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) apresentam um risco ainda maior.

Segundo os autores do trabalho, encabeçado pelo Hospital Universitário Gentofte, de Copenhague, o naproxeno é o AINE mais seguro, e seria possível tomar até 500 miligramas por dia. O diclofenaco é o mais perigoso e, dizem os pesquisadores, seu consumo deveria ser evitado, já que há outros fármacos com efeitos similares mais seguros.

“Permitir que esses remédios sejam comprados sem receita e sem nenhum conselho ou restrição envia uma mensagem ao público de que não há dúvidas quanto a sua segurança”, afirma Gunnar Gislason, coautor do estudo, em uma nota da Sociedade Europeia de Cardiologia. “Pesquisas anteriores mostraram que os AINE estão relacionados a um maior risco cardiovascular, algo que preocupa porque seu uso está muito disseminado”, acrescenta.

Para realizar este trabalho, os cientistas avaliaram todas as paradas cardíacas registradas na Dinamarca entre 2001 e 2010. Além disso, coletaram toda informação sobre prescrições desses medicamentos desde 1995. No tempo estudado, 28.947 tiveram parada cardíaca fora do hospital no país. Deles, 3.376 tinham tomado AINEs 30 dias antes de dar entrada. O ibuprofeno e o diclofenaco foram os dois medicamentos mais utilizados, cobrindo respectivamente 51% e 22% do uso total. Em relação ao incremento do risco de parada cardíaca, o ibuprofeno foi responsável por 31% e o diclofenaco, 50%.

Entre as explicações possíveis, os autores afirmam que os efeitos podem se dever à agregação de plaquetas que provoca coágulos, faz com que as artérias se estreitem, aumenta a retenção de líquidos e aumenta a pressão sanguínea. “Não acredito que esses remédios devam ser vendidos em supermercados ou postos de gasolina, onde não há orientação profissional sobre como usá-los. Os AINE só deveriam estar disponíveis em farmácias, em quantidades limitadas e doses baixas”, propõe Gislason.

Na Espanha, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) emitiu uma recomendação para limitar o consumo de ibuprofeno. Não se recomenda ingerir mais de 2.400 miligramas ao dia para pacientes com doença cardiovascular grave: insuficiência cardíaca, cardiopatia isquêmica, doença arterial periférica ou cerebrovascular. A recomendação chegou depois da revisão europeia (do Comitê para Avaliação de Riscos de Farmacovigilância) elaborada em relação ao risco cardiovascular deste medicamento assim como do dexibuprofeno, sobre o qual também se devem tomar precauções.

Fonte: El País

Curta nossa página no Facebook



Lasanha de cavalo, ovo falso e outros casos de fraude alimentícia

1. O ovo que não é ovo
Os falsificadores chineses se superaram em 2013, quando aprenderam a falsificar um dos alimentos mais simples e baratos que existem: o ovo. O caso ganhou o mundo em 2012, quando uma moradora da cidade de Luoyang, na província de Henan, viu uma van vendendo ovos a um preço muito barato. Aproveitando o desconto, ela comprou 2 quilos de ovo. Tudo falso. Na verdade, era uma mistura de produtos químicos (alginato de sódio, resina, amido, coagulante e pigmentos), com aromatizante artificial. A casca do ovo era feita com uma mistura de parafina derretida e gesso. Visualmente, fica perfeito – e os falsários vendiam 40% mais barato que os ovos tradicionais. Mas, se ingerido, pode ser altamente tóxico (chegando a causar danos neurológicos).

2. Chorando pelo leite adulterado
O primeiro caso foi registrado na década de 1850, quando os produtores de Nova York começaram a misturar ovos, farinha e açúcar ao leite para disfarçar que ele estava estragado (ou, pior ainda, continha pus, proveniente de doenças nas vacas). Estima-se que mais de 8 mil crianças tenham morrido, em 1857, por causa desse leite adulterado. Hoje em dia, o problema se concentra na Índia, que é a maior produtora mundial de leite. Numa inspeção feita em Nova Déli, em 2012, a polícia encontrou centenas de galões de leite falsificado: uma mistura de água, ureia, soda cáustica, óleo de cozinha, detergente e um pouquinho de leite em pó. Para fazer um litro do leite falso, os produtores gastam 5 rúpias (cerca de R$ 0,25). Depois, vendem o produto por 30 rúpias (R$ 1,50), cerca de 25% mais barato que o leite normal.

3. Jamón hecho en China
Em 2008, uma comitiva de empresários chineses visitou a Espanha para conhecer a produção do jamón serrano, um presunto curado que está entre os principais produtos culinários da Espanha. Diziam que queriam importar o jamón, mas não assinaram nada – e, alguns meses depois, lançaram uma versão made in china do embutido. Copiaram o processo de produção, só que usando carne de porco comum, curada por 1/3 do tempo, e colocaram no mercado europeu como se fosse jamón. Também há casos de falsificação do presunto pata negra, outra especialidade espanhola, que chega a custar R$ 800 o quilo. Os falsários chineses pegam uma pata de porco comum, pintam as unhas de preto, e vendem como se fosse de verdade – com direito a um falso selo de autenticidade.  

4. Lasanha de cavalo
Em 2013, autoridades inglesas descobriram carne de cavalo em produtos que supostamente eram feitos com carne bovina. Os hambúrgueres vendidos na rede de supermercados Tesco, uma das maiores do país, tinham 29% de carne de cavalo. Também havia DNA equino na lasanha congelada – e um espaguete à bolonhesa congelado, da marca francesa Comigel, tinha 100% de carne de cavalo no molho. Após uma extensa investigação, descobriu-se que o esquema teve origem no próprio Reino Unido: cavalos, muitos deles doentes e vítimas de maus tratos, eram levados da Irlanda para a Escócia e para a Inglaterra, abatidos e depois tinham suas carcaças enviadas para a Holanda, onde a carne era procesasada e distribuída para as fábricas.

Fonte: Exame.com

Curta nossa página no Facebook



Em seis anos, SUS desativa 10,1 mil leitos pediátricos no país

Entre 2010 e 2016, o Sistema Único de Saúde (SUS) fechou quase 10,1 mil leitos de internação em pediatria clínica (para pacientes de 0 a 18 anos), segundo levantamento inédito feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Em 2010, a rede pública tinha 48,2 mil vagas do tipo (entre leitos próprios e conveniados). Em 2016, caiu para 38,1 mil.

Só em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais, estruturas necessárias para atender recém-nascidos em estado grave, faltam 3,2 mil leitos, conforme parâmetro da Sociedade de Pediatria. De acordo com a entidade, são necessários ao menos 4 leitos do tipo por mil nascidos vivos. No país, a taxa atual é de 2,9.

“É uma situação gravíssima porque as crianças muitas vezes chegam a um serviço de pronto-socorro e não têm para onde ser encaminhadas”, afirma Luciana Rodrigues Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela atribui a situação à falta de investimento do Ministério da Saúde na área. “Muitos serviços estão fechando as portas por uma questão financeira. Há ainda casos de unidades desativadas porque não têm profissionais suficientes no quadro.”

Fila em São Paulo
O estado que perdeu mais leitos pediátricos no período é São Paulo. A Defensoria Pública acumula casos de crianças da capital que só conseguiram vaga por decisão judicial ou cuja sentença favorável chegou tarde. “A fila é a coisa mais cruel que existe porque quem cuida da regulação dos leitos acaba tendo que brincar de ser Deus, organizando por gravidade os que vão conseguir”, afirma Flávio Américo Frasseto, defensor público da Infância e Juventude.

Morte de bebês em Goiás
Consequência do déficit de leitos pediátricos na rede pública de Goiás, a superlotação de uma unidade de tratamento semi-intensivo neonatal do Hospital Materno Infantil, referência em Goiânia, pode ter sido responsável pela morte de dois bebês por infecção hospitalar neste mês.

“Estamos investigando a raiz desse surto de KPC (superbactéria), mas, sem dúvida, a superlotação da Ucin (Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal) contribuiu para essa situação. Temos uma capacidade instalada de 22 leitos na unidade e, no período em que ocorreu o surto, estávamos com 36 bebês internados”, afirma Rita Leal, diretora regional do Instituto de Gestão e Humanização (IGH), organização social que administra o Hospital Materno Infantil.

Ela explica que, embora a superlotação aumente o risco para os pacientes, o hospital não pode negar atendimento aos bebês e gestantes que procuram a unidade. “Somos um hospital porta aberta. Temos de atender a quem procura. No entanto, é claro que quando você tem uma superlotação, há problemas. A distância adequada entre os leitos não é respeitada e o número de profissionais é insuficiente para todos os pacientes”, afirma Rita.

Rita ressalta que, assim que o surto foi identificado, todas as providências foram tomadas para isolar os pacientes com suspeita de infecção e evitar novas contaminações. “Colocamos uma equipe exclusiva pra cuidar desses bebês,”, afirma. Procurada, a Secretaria de Saúde de Goiás não se manifestou.

Fonte: Veja.com (Com informações de O Estado de S.Paulo)

Curta nossa página no Facebook



Plantações de milho estão sendo dizimadas no Interior do CE

"O sertanejo é antes de tudo um forte". Quando o escritor Euclides da Cunha fez esse registro em um trecho do seu clássico literário "Os Sertões", havia motivo para a expressão, que permanece tão contemporânea como nunca. Passados um século e mais 15 anos, aqueles detalhes, embora na esfera da Guerra de Canudos, na atualidade refletem metaforicamente a luta do povo do sertão pela sobrevivência. Hoje, as adversidades como a seca, continuam. Após um longo período de estiagem, a chuva começa a chegar, mas, com ela, o homem do sertão é obrigado a enfrentar outra guerra, contra a lagarta.

Esse é um desafio de quem começou a plantar milho e feijão nos roçados do Sertão Central do Ceará, no início de fevereiro. "Um bichinho miúdo, rastejante e esfomeado está acabando com tudo. Não deixa nem a rama do milho começar a crescer. A lagarta veio e devorou todo o verde, antes mesmo da próxima chuva chegar", comentou o lavrador Raimundo Edvan Castelo Branco. A lavoura dele foi uma, dentre as dezenas espalhadas pela zona rural de Quixadá, prejudicadas pelo ataque desse inseto.

Para ele e os vizinhos, o surgimento da peste, logo após um período longo de estiagem, foi uma surpresa. Não imaginavam enfrentar o problema tão cedo. Acreditavam que a seca tinha acabado com tudo, inclusive com essa espécie predadora dos vegetais. Não foi bem assim. Bastou surgir o intervalo das chuvas na região para as lagartas aparecerem, aos montes. Da noite para o dia, se não houver combate, o plantio fica comprometido. A semente mal germina, reclama.

Como ainda é início da quadra chuvosa, os agricultores aguardam o auxílio dos técnicos das secretarias municipais e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce).

Enquanto o socorro não chega, os trabalhadores rurais viram como podem. Alguns compram agrotóxicos e aplicam nas plantações. Outros recolhem as lagartas com as mãos e recomeçam o plantio, mas as muitas dúvidas permanecem.

Uma dessas dúvidas é quanto à utilização da estratégia certa para o combate à praga, se possível evitar a infestação nos roçados. A maioria não acredita nos defensivos naturais, como a urina da vaca. Outros associam a proliferação exagerada ao ciclo do mosquito Aedes aegypti.

"Esses bichos põem os ovos na mata, como o mosquito, e quando a chuva chega, eles se transformam nas lagartas. Quando já estão bem cheios e crescidos viram borboletas. Voando, põem ovos em todo lugar", comenta o agricultor Antônio Clodoaldo Marinho.

Para alguns, a maneira mais rápida de combater a praga é o retorno das chuvas. Com elas as lagartas caem das plantas e são arrastadas pelas águas. Há até quem diga que os trovões e raios assustam e espantam a espécie. Essa é a opinião do presidente da Associação dos Produtores Rurais de Riacho Verde, Francisco Rodrigues, conhecido como Chicão. Em nome dos associados ele reivindica o auxílio técnico dos órgãos públicos. Se comprarem agrotóxicos, os custos vão se elevar e ainda contaminar as lavouras, acredita.

Assistência
Apesar das dificuldades financeiras, as secretarias municipais de Agricultura e os escritórios da Ematerce estão começando a se mobilizar. Algumas já estão planejando visitas no campo. É o caso da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar de Quixadá. O secretário, José Kleber Júnior, pretende visitar com sua equipe as áreas afetadas e auxiliar os lavradores dentro das possibilidades da Pasta.

O diretor técnico da Ematerce, Itamar Marques, reconhece as dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares nestes últimos cinco anos. Foram momentos difíceis. Tiveram perdas consecutivas de safras, refletindo na descapitalização da classe. A situação só não foi mais dramática em razão das ações governamentais de proteção social, se destacando o Garantia Safra.

Neste ano, apesar das mudanças meteorológicas favoráveis, mais regulares, mas ainda com espaçamentos ensolarados entre os períodos de chuva, os veranicos, esses pequenos períodos de estiagem trazem as pragas para o campo. Há diversos tipos delas, como as de ação sugadora, a exemplo dos pulgões e percevejos, e as de hábitos mastigadores, dentre as quais se destacam as lagartas.

Os insetos, de maneira geral, têm hábitos noturnos. Uns atacam as folhas mais novas da planta. Outros agridem as folhas desenvolvidas, flores e até frutos. Alguns dizimam as plantas na sua fase inicial, outros já no meio do ciclo da cultura e há ainda os ataques aos grãos armazenados.

No caso das larvas de borboleta ou de mariposa que pertencem à ordem dos lepidópteros, elas põem seus ovos, esses se transformam em lagartas e depois em pupa para em seguida virarem novamente adultos. Esse ciclo se dá, dependendo da espécie, em torno de cinco a dez dias. Existem inúmeros tipos, como a das maçãs e curuquerê, do algodão, a da mandiocultura, mandarová da mandioca, a dos capinzais, dentre outras e também as dos milharais e do cartucho do milho.

Sobre as lagartas se assustarem com relâmpagos e trovões, Marques explicou não haver relação, todavia, embora pareça uma lenda rural, a experiência do homem do campo deve ser respeitada. Não podendo se dizer o mesmo quanto à associação do primeiro estágio larval dos insetos da ordem dos Lepidoptera ao do mosquito Aedes aegypt. "O ciclo da lagarta é muito rápido, e ocorre mais rapidamente com o calor e a umidade", reforçou o especialista.

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

Curta nossa página no Facebook



8 sinais de que caiu na armadilha de um manipulador emocional

Muitas pessoas percebem na hora que estão sendo manipuladas, pois já passaram por isso e conhecem quais sentimentos são provocados. Alguns, no entanto, têm dificuldade de reconhecer esse tipo de armadilha. O Incrível.club reuniu oito sinais para ajudá-lo a entender que caiu na armadilha. Um manipulador emocional:

1. Faz você duvidar da sua sanidade
Os manipuladores emocionais são mentirosos e extremamente talentosos. Insistem que não fizeram algo que você mesmo acabou de ver ou afirmam que disseram algo que você sabe com certeza que nunca mencionaram. O problema é que eles mentem com tanta habilidade que, no final, você começa a duvidar de própria sanidade. Insistir que todos os problemas são fruto de sua imaginação é uma especialidade dos manipuladores.

2. Suas ações contradizem suas palavras
Os manipuladores emocionais dizem o que você quer ouvir, mas as suas ações são outra história. Eles sempre dizem que vão dizer que te apoiam, mas, quando chega a hora da mão na massa, fingem que todos os seus pedidos não são sensatos.

3.Joga com o sentimento de culpa
Os manipuladores emocionais usam o sentimento de culpa em seus interesses. Ao tentar falar sobre os seus problemas, você vai acabar se sentindo culpado de os incomodar. Se não conta nada, sentirá culpado por manter segredos. Eles fazem com que sinta que tudo o que faz está errado e que todos os problemas são culpa sua.

4. Quer parecer vítima
Os manipuladores emocionais nunca têm culpa de nada. Independentemente do tipo de erro que tenham cometido, o culpado sempre é outra pessoa (provavelmente você). Se você está chateado ou triste, a culpa é das suas expectativas elevadas; se o manipulador está triste, a culpa é sua de tê-lo entristecido. Os manipuladores emocionais não se responsabilizam por nada.

5. Simula ser muito sensível
Seja em uma relação pessoal ou comercial, os manipuladores emocionais sempre começam a compartilhar coisas importantes muito rápido e esperam o mesmo de você. Eles fingem ser sensíveis e vulneráveis, mas é uma armadilha. Tendem a fazer isso, para que você se sinta especial ou amigo próximo e para que comece a sentir pena dele e responsável por seu estado emocional.

6.Ele se oferece para ajudar e logo faz você se sentir em dúvida com ele
O desejo inicial de se oferecer para ajudar, rapidamente se transforma em queixas e afirmações de que tudo o que está fazendo é extremamente difícil. O objetivo é fazer você se sentir em dívida com o manipulador.

7.Sempre se sente pior do que você
Não importa o tamanho do seu problema, o manipulador sempre estará pior do que você. Os manipuladores nunca se cansam de lembrar que os seus problemas são muito mais graves. Dessa forma você não tem razão alguma para reclamar.

8. Conhece sua fragilidade e as usa contra você
Se você está preocupado com o seu peso, recebe vários comentários sobre o que come ou sobre o tipo de roupa que veste. Se está preocupado com uma apresentação que terá de fazer, o manipulador irá falar justamente sobre os riscos e lembrar casos de insucesso. Facilmente eles leem as suas emoções, mas sabem usar essa habilidade somente para manipular, sem tentar ajudá-lo a se sentir melhor.

Os manipuladores emocionais podem deixá-lo louco com seu comportamento irracional. Não tente vencê-los em seu jogo. Mantenha uma certa distância emocional e não se deixe cair em suas armadilhas.

Fonte: Incrível

Curta nossa página no Facebook



Operação Carne Fraca: Emissoras faturam alto exibindo ‘desculpas’ dos frigoríficos

A edição de sexta-feira (17) do ‘Jornal Nacional’ dedicou 22 minutos à Operação Carne Fraca da Polícia Federal. No último intervalo do telejornal entrou no ar um comunicado da BRF, empresa investigada por supostamente comercializar produtos sem a qualidade exigida.

As marcas atingidas pelo escândalo serão rápidas em lançar sua defesa na mídia. O estrago na imagem pode inutilizar os milhões gastos com publicidade – inclusive patrocinando programas de sucesso dos principais canais – para promover os produtos agora sob suspeita.

Um infocomercial como o que foi veiculado no ‘JN’, com duração de 30 segundos, não sai por menos de 800 mil reais – fora o custo de produção do vídeo.

O valor é proporcional ao alcance da transmissão: o jornalístico comandado por William Bonner e Renata Vasconcellos chega a ser visto a cada noite por 6 milhões de pessoas somente na Grande São Paulo.

No ‘Jornal da Record’ de ontem, o espaço para o assunto foi menor: 5 minutos e 50 segundos. No primeiro intervalo lá estava o mesmo comunicado que fora exibido pouco antes no break do ‘Jornal Nacional’.

O texto que tenta recuperar a confiança do consumidor da BRF foi gravado pelo ex-apresentador de telejornais da TV Cultura Carlos Henrique Corrêa, dono de uma das vozes mais solicitadas do mercado publicitário justamente por inspirar credibilidade.

Horas antes, em sua página no Facebook, o locutor postou uma frase que suscita inevitável interpretação irônica: “Somos o que comemos...”

A ‘Carne Fraca’ vai render faturamento extra para os grandes veículos de mídia que serão usados para propagar os esclarecimentos dos frigoríficos – e a operação da PF já afeta a imagem de famosos que atuam como garotos-propaganda das empresas envolvidas no escândalo.

As redes sociais foram inundadas com memes protagonizados por Tony Ramos, astro da Friboi, e Fátima Bernardes, estrela da Seara, entre outras celebridades. Eles precisarão ter paciência (e bons assessores) para deglutir esse prato indigesto.

Fonte: Terra

Curta nossa página no Facebook



Crato (CE): Mulheres perpetuam dança do coco

Quem as vê não imagina o tamanho da vitalidade que carregam consigo. Junto à disposição de dar inveja a muitos jovens, as agricultoras cratenses assumiram, há quase quatro décadas, a responsabilidade de manter viva a tradição secular da dança do coco, um ritmo típico nordestino, que teve influência dos africanos e indígenas. Com idades entre 56 e 84 anos, elas compõem o Grupo de Mulheres do Coco da Batateira, como é conhecido no bairro Gisélia Pinheiro, um dos mais pobres desta cidade do sul do Ceará.

O grupo foi criado em 1979, na sala de aula do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral). A hoje mestre do grupo, Edite Dias de Oliveira, lembra que há quase 40 anos ela e três amigas se reuniram para fazer uma apresentação na escola no Dia do Folclore e a dança escolhida por elas foi a do coco, também denominada zambê, coco de roda, coco de embolada, coco do sertão ou coco de umbigada.

"Das quatro, eu era a única que não sabia dançar, mas já achava muito bonito. Então a gente ensaiou para aquela apresentação e, durante os ensaios, pesquisamos a origem da dança. Daquele dia em diante, as apresentações foram ficando mais frequentes e dança passou a fazer parte de nossas vidas", recorda. Ao passar dos anos, a brincadeira ficou séria, ganhou novas adeptas e elas fundaram o grupo que hoje conta com 16 agricultoras, todas residentes na localidade da Batateira.

Dinâmica
As mulheres se dividem entre damas e cavaleiros, quando dançada em pares. Sete delas trajam-se de homens, e outras sete vestem roupas de mulheres, que se assemelham às usadas pelas quebradeiras de coco, com cores vivas e saias rodadas. Também pode ser dançada em fileiras ou rodas. Os instrumentos tradicionais são o triângulo e a zabumba, mas, atualmente, já foram incrementados outros, como o pandeiro e triângulo.

"As quebradeiras de coco, durante a procura pelo fruto na mata, faziam barulho semelhante e sempre trabalhavam cantando. Depois aquilo se transformou em dança", conta mestre Edite. As letras das músicas, embora sejam simples, sempre remetem a alguma temática regional ou ao cotidiano das agricultoras e o ritmo é cadenciado pelo batida das palmas e pés no "terreiro", como elas chamam os locais de apresentação.

Preconceito
O início não foi fácil. "A gente levava nome de doida, fogosa, macumbeira. Muitos não apoiavam, inclusive alguns maridos. Já tivemos até mulheres dentro do nosso grupo agredidas durante as apresentações, mas resistimos. Nosso objetivo foi e é manter viva essa tradição e ensinar para os mais jovens a riqueza da nossa cultura", explica a mestre mirim Raimunda Queiroz, que há 14 anos teve a ideia de fundar grupo de dança voltado para os jovens da comunidade.

"Muitas de nós já estamos velhas e algumas até já faleceram. Para perpetuar essa cultura, só mesmo ensinando aos pequenos. Em 2003, o grupo mirim foi criado e hoje já conta com 13 jovens. "Minha avó me trazia para o terreiro e eu ficava vendo as danças. Passei a admirar e também quis aprender. Sempre ouvi ela falar sobre a importância da dança do coco e hoje reconheço o valor que ela tem para sociedade", pontua Emanuel Henrique Rodrigues de Macedo, 14, há nove no grupo.

Reconhecimento
Embora o grupo já tenha sido tema de estudo de pesquisadores de universidades do Pernambuco, Maranhão, São Paulo, Rio de Janeiro e do próprio Ceará, as mulheres ainda carecem de apoio e incentivo para que as apresentações continuem. Edite Dias conta que "não há ajuda financeira da Prefeitura ou governo", o que tem dificultado inclusive a confecção e manutenção das roupas e sapatos usados nas apresentações.

O secretário de Cultura, Wilton Dedê, disse reconhecer a "relevância destes grupos para a constituição e formação identitária do nosso povo" e afirmou que "está formatando o Plano de Ações Culturais para que as necessidades sejam atendidas". E acrescenta: "o município está empenhado em construir projetos e ações contínuas no que diz respeito ao apoio para a cultura local". Anualmente, segundo Dedê, esses grupos recebem subsídios para renovarem a indumentária e fardamentos.

Wilton ressaltou que "tem se esforçado para incluir todos os grupos da cidade dentro das programações da Secretaria de Cultura com o pagamento de cachês a cada apresentação, uma vez tratarem-se de grupos de natureza privada (não são municipalizados, à exceção dos Irmãos Aniceto). Além disso, procura promover os grupos além das fronteiras da cidade, incluindo-os em Editais".

Enquanto o apoio não se concretiza, mestre Edite segue com o sonho de construir um "terreirão de ensaio" no quintal de sua casa. "Quero morrer dançando. É o que eu mais gosto de fazer, me revitaliza e tira todas minhas dores. Queria ensinar a dança para o maior número de pessoas, por isso meu sonho do terreirão", concluiu.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

Curta nossa página no Facebook



Assaré (CE): Açude estoura com chuva de 170 mm e causa danos; veja vídeo

A cidade de Assaré está vivendo nesse exato momento uma situação de vexame por conta de um açude que estourou na zona rural. Segundo informações, com a chuva de 170 mm, o açude local não comportou as águas e acabou estourando na manhã de hoje (17). As águas com forte correnteza invadiram a área urbana. As ruas estão tomadas pelas águas. Muitas famílias estão com os móveis boiando dentro de casa. Outras estão retirando no braço o que pode salvar como móveis, eletrodomésticos e outros pertences.

A situação é de calamidade. O volume de água que vem do açude continua aumentando dentro da cidade de Assaré. Nas áreas mais baixas da cidade, as águas já estão na altura da cintura, ou mais precisamente, residência com água a altura de um metro, com isso muitas famílias estão com enfrentando dificuldades até para fazer a retirada dos seus pertences de dentro de casa.

Algumas residências alagadas não estão suportando o volume de água. Já se registra danos nas estruturas físicas, alguns muros já caíram, enfim, a situação é muito complicada na cidade de Assaré, com a chuva de 170 mm, segundo as informações preliminares. Segundo informações, algumas famílias perderam tudo que tinham dentro de casa, pois não tiveram tempo suficiente para retirar móveis e eletrodomésticos.

No pluviômetro oficial da Funceme na sede de Assaré, a chuva de ontem para hoje foi de 88.0 mm, mas, a chuva na zona rural conforme informações levantadas na região do açude estourado foi de 170 mm, volume de água grande de um dia para o outro, a base do açude não suportou a água e veio a estourar na manhã desta sexta-feira (17), causando muitos prejuízos aos moradores que residem na cidade.




Silva Neto

Fonte: Diário do Cariri

Curta nossa página no Facebook



Ela voa e assusta. Mas, afinal, para que serve a barata?

As baratas ajudam a reciclar a matéria orgânica que está no ambiente. Para isso, elas se alimentam de restos de animais e de fezes, decompondo esse material e, então, devolvendo nutrientes ao ambiente. Algumas espécies também consomem papel e plástico, ajudando a diminuir a quantidade de lixo.

Além disso, as baratas servem de comida para lagartixas, aranhas, aves, répteis e alguns mamíferos. E sabia que se elas sumissem do planeta, sofreríamos um desequilíbrio ecológico? A quantidade de lixo aumentaria muito e as relações na natureza se alterariam, causando a diminuição de algumas espécies e o aumento de outras.

Consultoria: Guilherme Domenichelli (biólogo e autor dos livros Girafa Tem Torcicolo? e O Resgate da Tartaruga - Panda Books)

Fonte: Recreio

Curta nossa página no Facebook



Operação Carne Fraca: Os empresários visavam o lucro e não a saúde pública, afirma Polícia Federal

Os grandes conglomerados de empresas do setor agropecuário brasileiro - JBS e BRF - adotaram procedimentos de barateamento dos produtos visando apenas no aumento dos lucros, mesmo que para isso a qualidade do produto repassado aos consumidores fosse baixa.

A Polícia Federal, em coletiva na manhã desta sexta-feira, afirmou que a prioridade das empresas envolvidas na Operação Carne Fraca era o "capitalismo, o mercado, e não a saúde pública", informou o Delegado responsável pelo caso, Maurício Grillo.

Segundo O Globo, entre os empresários presos estão o gerente de Relações Institucionais do Grupo BRF e um funcionário do grupo JBS. O jornal também afirma que a Operação prevê o bloqueio de R$ 1 milhão das contas de 46 investigados.

Após a deflagração da Operação, as ações das empresas tiveram forte queda na bolsa de valores nesta sexta. Segundo a Veja, entre as muitas marcas comercializadas pela empresa JBS, estão a Friboi e a Seara. Já a BRF tem entre seus principais nomes, a Sadia e a Perdigão.

Fonte: O Povo

Curta nossa página no Facebook



Próximo ao Dia de São José, volume de chuvas em março já é maior que o do mesmo mês de 2016

O volume de chuvas registrado nos 17 primeiros dias deste mês já é maior que o de todo o mês de março de 2016. De acordo com informações da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), até esta sexta-feira (17) já foram registrados 155,9 milímetros contra os 129,4mm do ano passado.

O fato registrado em março segue a tendência do mês de fevereiro, quando o volume foi três vezes maior do que o observado no mesmo período no último ano, ficando 31% acima da média, isto é, em 2017 o Ceará recebeu 155 mm, enquanto em 2016 o registrado foi de 53,2 mm.

Historicamente sendo o mês com maiores volumes de chuvas, os 155,9 milímetros de março já se configuram como o maior volume mensal desde janeiro de 2016, ou seja, quase 14 meses. Porém, é importante considerar que o Ceará não recebe precipitações intensas no segundo semestre do ano, pois a quadra chuvosa encerra-se em abril.

No intervalo de 7h desta quinta-feira (16) até as 7h desta sexta, choveu em mais de 100 cidades com destaque para Assaré, onde o volume observado foi de 88 milímetros. Também receberam precipitações intensas os municípios Porteiras (87mm), Missão Velha (74mm), Cruz (56mm), Ibaretama (56mm) e Pires Ferreira (51mm).



Fonte: Diário do Nordeste

Curta nossa página no Facebook



13 coisas fascinantes que ocorrem durante o sono

Você já deve saber que um bom sono recupera não apenas o corpo, mas também a mente. O sono, segundo estudiosos, é dividido em diversas etapas, cada uma com uma função específica em relação à forma como nos ajudam a nos recompor.

Vamos mostrar o que acontece com seu corpo, enquanto você dorme.

Fases do sono
O sono tem um ciclo de 5 fases, que se repetem quando você dorme:
  • Fase 1. Entre estar dormindo e acordado. Sono leve.
  • Fase 2. A temperatura diminui, você não está mais em estado de alerta.
  • Fases 3 e 4. Nessas fases ocorre o sono mais reparador, há a redução da pressão arterial e da respiração, os músculos relaxam, há a produção de hormônios e energia é reposta.
  • REM: fase mais profunda do sono, em que o cérebro está muito ativo e você tem os sonhos mais estranhos, dos quais se lembra no dia seguinte. Em inglês, REM é a sigla para Movimento Rápido dos Olhos (Rapid Eye Movement) e, de fato, é possível notar em alguém dormindo que, mesmo fechados, os olhos se movimentam.
A seguir, descubra o que acontece com o seu corpo durante essas fases do sono.

1. Seu cérebro faz uma limpeza
O cérebro nunca dorme, especialmente nos sonhos mais profundos, quando, na verdade, ele está mais ativo. Na hora de dormir, as conexões neurais de novas memórias são estabelecidas e é ’jogado fora’ o que não serve. Se não houver esse ’descarte’ é possível desenvolver problemas de memória e certas doenças como o Alzheimer.

2. Sente que cai
Se, ao dormir, você sente que cai e depois desperta com algum movimento, trata-se de um reflexo de seus músculos. Alguns cientistas dizem que, ao começar a dormir, o corpo pode registrar que está caindo e, em seguida, se mexer para evitá-la. Isso normalmente não é indicador de que está acontecendo algo errado.

3. Um barulho te acorda
Algumas pessoas acordam ao ouvir um barulho muito alto perto delas. Algumas o escutam como uma bala ou uma bomba que explode. Esta é conhecida como a síndrome da cabeça explosiva e é mais recorrente em tempos de estresse. Aparentemente, não está associada com algo prejudicial.

4. Sua temperatura cai
É sempre recomendável dormir em um quarto aquecido. O motivo está no fato de que, ao relaxar, temos nossa capacidade termorregulação diminuída, o que faz com que a temperatura temporal caia um pouco.

5. Você fica imóvel
Quando se está no sono mais profundo, todos os seus músculos ficam imóveis, ​​porque o corpo não produz um aminoácido chamado glicina. Apenas os músculos dos olhos e de sua respiração (incluindo o coração) ainda funcionam da mesma forma. Este tipo de paralisia é normal e não deve ser confundida com a paralisia do sono, que dura apenas alguns segundos ou minutos e assusta muito, pois, quando isso acontece, você acorda e percebe que não consegue se mover.

6. Movimenta os seus olhos
Já falamos sobe isso. Ao atingir o estágio 5 ou sono REM, os olhos se movem rapidamente de um lado para outro, sem que você perceba.

7. Caminha dormindo
Isso é chamado de sonambulismo. O perigo de caminhar dormindo é que você pode deixar a sua casa ou fazer outras coisas que coloquem a sua vida em perigo. Há pessoas que cozinham, comem e até dirigem enquanto dormem.

8. Fala dormindo
Ai daqueles que dormem com você! Porque, logo depois dormir, você começa a contar uma história que muitas vezes não dá nem para entender. Felizmente, isso geralmente dura apenas 30 a 40 segundos e é porque seus músculos ainda têm um pouco de força para emitir sons.

9. Tem sonhos recorrentes
Você já sonhou várias vezes que foi fazer uma prova sem estudar? Qualquer sonho recorrente e estranho ocorre por causa das situações psicológicas que seu cérebro não foi capaz de assimilar, já que o sono ajuda o cérebro a arquivar tudo em memórias e a tentar entender algo que você foi capaz de interpretar.

10. Ronca
Acredite ou não, nossa garganta contrai um pouco enquanto dormimos e é isso que faz com que seja produzido o ronco, algo tão chato que não deixa a pessoa ao lado em paz. Em algumas pessoas a garganta se fecha mais e, em outras, menos. Quando a esse problema se junta um outro, o da sinusite, o potencial do ’roncador’ em termos de decibéis se torna algo parecido com um Boeing durante a decolagem. Em qualquer caso, consulte um especialista em sono. Você dormirá melhor e não incomodará seu parceiro ou parceira.

11. As crianças crescem mais rapidamente. Nos adultos, os musculos se regeneram
Nas crianças, dormir ativa a produção de hormônio do crescimento. Nos adultos, entra em ação um mecanismo de regeneração de ossos e músculos.

12. Range os dentes
Há muitas pessoas que rangem os dentes durante o sono e isso pode ser causado por estresse ou por causa de maxilares desalinhados. Alguns o fazem tão fortemente que os dentes podem até se quebrar. Felizmente, já são vendidas plaquinhas para os dentes para serem usadas na hora de dormir. Mas, antes de adotar uma, consulte um dentista.

13. Acalma ou desperta o apetite
Se já acordou e sente um grande desejo de junk food, como um grande donut cheio de cobertura e recheio ou um belo churros, você não é o único. Está demonstrado que, quando não se dorme bem ou o suficiente, não são produzidos hormônios que regulam o apetite, o que pode levar a um ganho de peso. Então, se você dormir as horas necessárias de forma bem relaxada, com certeza não sentirá mais fome do que o normal.

Fonte: Incrível

Curta nossa página no Facebook



Chove em mais de 100 cidades cearenses nesta sexta-feira (17); Cariri registra o maior índice do Estado

Choveu em mais de cem municípios cearenses nas últimas 24 horas conforme dados do boletim diário da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Todas as regiões do Estado foram banhadas, com destaque para o Cariri, Litoral Norte e Sertão Central. Os três maiores volumes foram observados nestas regiões. Missão Velha, com 74 milímetros, liderou, seguido por Cruz (56 mm) e Ibaretama (56 mm).

Na região da Ibiapa, a cidade de Pires Ferreira teve o maior índice, com 51 mm. Na Jaguaribana, o município de Jaguaretama liderou com 33.4 mm e no Maciço do Baturité, Redenção, com 50.4 mm, foi o destaque. Já no Cariri, além de registrar a maior chuva do Estado, outros 15 municípios foram banhados pelas chuvas.

Este é o quinto dia consecutivo que amanhece chovendo na região. Abaiara (38 mm), Juazeiro do Norte (31 mm), Cariús (31 mm), Jucás (20 mm), Barbalha (18 mm) e Crato (16.4 mm), foram as cidades com maiores índices pluviométricos das últimas horas no Cariri. A previsão para hoje, segundo a Funceme, é de nebulosidade variável com eventos de chuva ao longo do dia no maciço de Baturité e nos litorais do Pecém e Fortaleza. Nas demais regiões, céu nublado com chuva. O fim de semana também deve ter chuvas isoladas em todo o Estado.

Açudes
Ainda que esteja em situação crítica, o nível dos reservatórios cearenses continua a apresentar elevação com as chuvas de março. Segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Cogerh), o volume subiu de 8,06% na quarta-feira para 8,5% nesta sexta. Já são quatro açudes sangrando: Acaraú Mirim, em Massapê; Caldeirões, na cidade de Saboeiro; Maranguapinho, em Maranguape; e o Tijuquinja, na cidade de Baturité. Em contrapartida, outros 123 reservatórios ainda estão com volume inferior a 30%.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

Curta nossa página no Facebook



Operação contra os maiores frigoríficos do Brasil prende 38 e descobre até carne podre à venda

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta (17) a Operação Carne Fraca, com foco na venda ilegal de carnes por frigoríficos, e deverá cumprir 38 mandados de prisão.

Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da operação, como BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, e JBS, dona das marcas Seara e Big Frango. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas. No total, cerca de 30 empresas estão na mira da operação, incluindo fornecedoras dos grandes frigoríficos.

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, também é citado na investigação. Ele aparece em grampo interceptado pela operação conversando com o suposto líder do esquema criminoso, chamando-o de "grande chefe". A PF, porém, não encontrou indícios de ilegalidade na conduta do ministro, que não é investigado.

O objetivo da operação é desarticular uma suposta organização criminosa liderada por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, que, com o pagamento de propina, facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.

A investigação revelou até mesmo o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, e a re-embalagem de produtos vencidos.

Entre os presos, estão executivos da BRF como Roney Nogueira dos Santos, gerente de relações institucionais e governamentais, e André Baldissera, diretor da BRF para o Centro-Oeste.

Também estão na lista funcionários da Seara e do frigorífico Peccin –um dos que tinha irregularidades gravíssimas, como uso de carnes podres, segundo a PF–, além de fiscais do Ministério da Agricultura.

A investigação aponta que os frigoríficos exerciam influência direta no Ministério da Agricultura para escolher os servidores que iriam efetuar as fiscalizações na empresa, por meio do pagamento de vantagens indevidas. Roney dos Santos, executivo da BRF, tinha acesso inclusive ao login e senha do sistema de processos administrativos do órgão, de uso interno.

"Parece realismo mágico. Infelizmente, não é", diz o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, que determinou as prisões.

"Dedo", "luva" e "documento" eram alguns dos termos usados pelos fiscais agropecuários para o pedido de propina. Mas até mesmo caixas de carne, frango, pizzas, ração para animais e botas eram dadas em favor pela vista grossa na fiscalização, diz o juiz Josegrei.

"É um cenário desolador", afirma Josegrei. "Resta claro o poderio de intimidação, de influência e de uso abusivo dos cargos públicos que ostentam para se locupletarem, recebendo somas variáveis de dinheiro e benesses in natura das empresas que deveriam fiscalizar com isenção e profissionalismo."

De acordo com a Receita Federal, que também participa da investigação, os fiscais valeram-se de distribuição de lucros e dividendos de empresas fantasmas, da montagem de redes de fast food em nome de testas de ferro e da compra de imóveis em nome de terceiros para esconder o aumento de patrimônio.

O líder do esquema, segundo a PF, era o fiscal Daniel Gonçalves Filho, que foi superintendente do escritório do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016.

Ele atuava em parceria com pelo menos outros oito servidores do órgão, além de Flávio Evers Cassou, atual executivo da Seara Alimentos, ligada à JBS, que também atuou como fiscal agropecuário entre 2009 e 2014.

Estão sendo cumpridos 27 mandados de prisão preventiva, 11 de temporária (válida por cinco dias) e 194 buscas e apreensões. A PF ainda não tinha um balanço da operação até o meio-dia desta sexta (17).

Maior Operação
Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

Em nota, a Polícia Federal afirma que detectou em quase dois anos de investigação que as superintendências regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam para proteger empresas, prejudicando o interesse público.

O esquema, ainda segundo os investigadores, funcionava por meio de agentes públicos que se utilizavam do poder de fiscalização para cobrar propina e, em contrapartida, facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização.

Dentre as ilegalidades praticadas pela suposta quadrilha está a remoção de agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais.

O nome "Carne Fraca" da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos corporativos do ramo alimentício.

A expressão popular também mostra "a fragilidade moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade dos alimentos fornecidos a sociedade".


Outro lado
A JBS, por meio de sua assessoria, afirma em nota que a empresa "e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas".

"A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos –seja na produção e/ou comercialização– e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos", diz a nota.

A BRF diz, por meio de comunicado, que está colaborando com as autoridades. Ela afirma não compactuar com práticas ilícitas e que seus produtos e a comercialização seguem "rigorosos processos e controles"

"A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores", afirma a empresa.

Em nota, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, afirma que determinou o afastamento imediato de todos os envolvidos e a instauração de procedimentos administrativos. "Todo apoio será dado à PF nas apurações. Minha determinação é tolerância zero com atos irregulares no MAPA", diz.

Ele afirma que suspendeu uma licença de dez dias que tiraria da pasta diante da deflagração da operação e que, neste momento, "toda a atenção é necessária para separarmos o joio do trigo". "Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta e novas medidas serão tomadas".

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que todos os produtos exportados pelo país são fiscalizados por técnicos nacionais e estrangeiros. "O Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade e status sanitário de seus produtos, que são auditados não apenas pelos órgãos brasileiros como também por técnicos sanitários dos mais de 160 países para os quais exporta", diz em nota.

A entidade ainda afirma que eventuais falhas são exceções. "São questões pontuais, que não refletem todo o trabalho desenvolvido pelas empresas brasileiras durante décadas de pesquisas e investimentos, para ofertar produtos de alta qualidade."

O grupo Argus também divulgou comunicado em que nega irregularidades, diz obedecer "rigorosamente" as observações sanitárias e de qualidade do Ministério da Agricultura e que se solidariza com a ação da PF, "entendendo que a mesma (operação) trará benefícios significativos ao setor, através de uma competitividade justa e adequada entre seus players".

O frigorífico Souza Ramos, do grupo Central de Carnes Paranaense Ltda, diz que "colaborou no que foi possível" e que vai continuar colaborando com a Polícia Federal. A empresa afirma seguir as exigências de qualidade.

Por meio de nota, o grupo disse ainda ser importante "que se desvincule a ideia de que todas as empresas investigadas pela polícia, de fato adulterem e/ou burlem a lei, e sim fazem parte da investigação pois necessitam dos serviços do MAPA".

A Princípio Alimentos Ltda disse que foi chamada pela Polícia Federal como testemunha e que não tinha mais nada a declarar. A Sub Royal Comercio De Alimentos também disse que não vai se manifestar.

A reportagem entrou em contato e aguarda resposta das empresas Medeiros, Emerick & Advogados Associados, o frigorífico Rainha da Paz, Unifrango Agroindustrial S/A, Frigomax - Frigorifico E Comercio De Carnes Ltda, Bio-Tee Sul Am. Industria De Produtos Químicos E Op. Ltda e Primor Beef Jjz Alimentos S.A,

Peccin, Dagranja Agroindustrial, Sidnei Donizeti Bottazzari ME, Fortesolo Servicos Integrados Ltda, Fratelli E.H. Constantino, Pavin Fertil Industria E Transporte Ltda, Primocal ind. E com. De fertilizantes ltda, Frigorífico 3D, Frango a Gosto, Santa Ana Comercio De Alimentos LTDA, Dalchem Gestão Empresarial LTDA, Fênix Fertilizantes LTDA, Multicarnes Representacoes Comerciais Ltda, Doggato Clínica Veterinária LTDA, Mc Artacho Cia Ltda, Smartmeal Comercio de Alimentos LTDA e Unidos Comércio De Alimentos Ltda não foram localizados.

Empresas investigadas

1. Santa Ana Comercio De Alimentos LTDA
2. Dalchem Gestão Empresarial LTDA
3. Fênix Fertilizantes LTDA,
4. Multicarnes Representacoes Comerciais Ltda
5. Unifrango Agroindustrial S/A, Mc Artacho Cia Ltda
6. Frigomax - Frigorifico E Comercio De Carnes Ltda
7. Smartmeal Comercio de Alimentos LTDA
8. Sub Royal Comercio De Alimentos
9. Unidos Comércio De Alimentos Ltda
10. Bio-Tee Sul Am. Ind. De Prod. Quím. E Op. Ltda, Primor Beef
11. Jjz Alimentos S.A
12. Peccin Agro Industrial Ltda
13. Uru Pfp-produtos Frigorificados Peccin Ltda
14. Frigorífico Souza Ramos LTDA
15. Big Frango Indústria E Com. De Alimentos Ltda
16. Principio-Alimentos Ltda Me
17. Frigorífico Rainha da Paz
18. Frango a Gosto
19. Frigorífico 3D
20. Jaguafrangos Industria E Com. De Alimentos Ltda
21. Pavin Fertil Industria E Transporte Ltda
22. Primocal ind. E com. De fertilizantes ltda
23. Fortesolo Servicos Integrados Ltda
24. Fratelli E.H. Constantino
25. Sidnei Donizeti Bottazzari ME
26. Medeiros, Emerick & Advogados Associados
27. Seara Alimentos LTDA
28. Dagranja Agroindustrial LTDA
29. Frigorífico Argus LTDA
30. BRF - BRASIL FOODS
31. JBS S/A
32. Doggato Clínica Veterinária LTDA ME

Fonte: Folha.com

Curta nossa página no Facebook



Em jantar oferecido por Gilmar Mendes, Serra propõe tirar sistema eleitoral da Constituição

Diante das turbulências provocadas pela Lava Jato, o senador José Serra (PSDB-SP) deve apresentar na próxima semana uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira da Carta os dispositivos que regulam o sistema eleitoral. O assunto foi discutido no jantar realizado na quarta-feira (15) na casa do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, com a participação do presidente Michel Temer e de vários convidados do Congresso.

A ideia de criar um modelo de financiamento público de campanhas, com uma lista fechada de candidatos para as eleições de 2018, ocupou as rodas de conversa naquela noite, mas foi a proposta de Serra que chamou mais atenção.

O jantar foi oferecido por Mendes em homenagem ao senador, que completa 75 anos no próximo domingo, e ocorreu um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de abertura de inquérito contra vários políticos citados nas delações da Odebrecht.

Serra e alguns dos convidados de Mendes - entre eles os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), além do senador Aécio Neves (PSDB-MG) - estão na lista de Janot. O presidente do TSE, por sua vez, vai analisar o processo de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

A proposta de desconstitucionalização do sistema eleitoral é considerada importante por Serra para que todas as mudanças sugeridas na reforma política possam ser feitas por projeto de lei. Ele, por exemplo, defende o voto distrital misto. Atualmente, essa alteração depende de emenda constitucional.

Uma mudança na Constituição precisa ser aprovada em duas votações na Câmara e duas no Senado, com quórum de três quintos dos parlamentares. Um projeto de lei, no entanto, pode passar por maioria simples, com apenas um turno de votação em cada Casa.

Serra também prega o parlamentarismo e pediu a Eunício que crie um grupo para discutir o sistema de governo. Embora o próprio Temer tenha ouvido com interesse a proposta do tucano, aliados do Palácio do Planalto disseram à reportagem que a ideia não é factível a curto prazo.

O novo modelo defendido pela cúpula do governo, do Congresso e do próprio TSE prevê mudanças que não precisem de PEC, como a autorização para que as legendas usem o Fundo Partidário em campanhas e as listas fechadas de candidatos. Por essa fórmula, os partidos escolhem os concorrentes que compõem a chapa e os eleitores votam apenas na legenda.

"Se quisermos aprovar qualquer alteração na lei eleitoral para 2018 é necessário que seja um projeto de lei, e não uma PEC", afirmou Eunício. Na sua avaliação, Temer não vetará a proposta de lista fechada, caso o texto seja aprovado pelo Congresso.

Tudo indica, porém, que o Congresso pretende encaixar um "jabuti" no projeto da reforma, na tentativa de anistiar o caixa 2. A articulação para salvar políticos avançou depois que o Supremo decidiu tornar réu o senador Valdir Raupp (RO), ex-presidente do PMDB. Para a Corte, uma doação de R$ 500 mil recebida por ele da empreiteira Queiroz Galvão, apesar de declarada à Justiça Eleitoral, não passou de "propina disfarçada".

Fonte: UOL (Com Estadão Conteúdo)

Curta nossa página no Facebook