Como Luizão, deu aula por 5 anos; após se declarar Luiza, foi demitida


Uma das lições mais bonitas que a estudante Pietra Costa, 16 anos, recebeu na escola foi testemunhar a transformação do seu professor de filosofia em uma mulher. “Foi lindo”, lembra a aluna do Colégio Anglo Alphaville, que, em novembro do ano passado, fazia parte de uma das turmas que viu o “professor Luizão” dizer diante dos alunos: “O tio Luiz na verdade é tia Luiza. Eu sou transexual”.

Naquele gesto, os estudantes receberam uma aula extracurricular sobre identidade de gênero e superação de preconceitos. Pietra conta que os alunos acolheram a novidade e sentiram “uma admiração intensa” por Luiza, “pela coragem de se comprometer com tudo aquilo que poderia encontrar para ser quem ela é e por permitir que participássemos daquele momento”.

A mesma admiração que já sentiam pelo velho Luizão, que, muito antes de trocar a barba pelo batom vermelho, adorava mexer com a cabeça de seus alunos. “Luiza foi de longe uma das melhores professoras que tive. As coisas que aprendi com ela são imensuráveis, desde Sócrates até lidar com a minha vida e com o meu ser, minha existência”, diz outra aluna, Marina Sahyoun, 15 anos.

Nos dias de hoje, ou de qualquer tempo, é de se imaginar que uma escola fosse valorizar uma professora capaz de ensinar “coisas imensuráveis” e “tudo que se pode encontrar para ser quem se é”. Mas parece que o Colégio Anglo Leonardo da Vinci, onde Luiza Coppieters, 35 anos, lecionava desde 2009, dando aula nas cinco unidades do grupo (em Alphaville, Granja Viana, Osasco, Taboão da Serra e Vila São Francisco, todos na Grande SP) — não viu com esse olhar.

Em março deste ano, Luiza ficou sabendo que a escola havia reduzido suas aulas e cortado seu salário em dois terços. Ela conta que caiu em depressão, saiu em licença médica para tratamento e tentou o suicídio duas vezes. Em 29 de junho, veio o golpe final: a escola anunciou que, após seis anos de trabalho, ela havia sido demitida sem justa causa.

Luiza está convencida de que foi mandada embora por ter assumido sua transexualidade. “A única justificativa para minha demissão é a transfobia”, afirma.

“Problemas profissionais” 
O colégio nega que a demissão tenha sido motivada por preconceito e afirma que a motivação foi profissional, sem entrar em detalhes. “A demissão da professora Luiza foi decorrente de problemas de ordem profissional ligadas ao cotidiano de aulas, compromissos e relações éticas de uma escola. Infelizmente essas questões detalhadas não podem ser expostas publicamente em respeito à figura da professora Luíza e aos próprios trâmites internos da escola”, afirma Wagner Dias, coordenador de ensino médio da escola.

Ainda segundo o coordenador, em entrevista por e-mail, Luíza “desde maio deste ano ficou ausente da escola e, exceto quando solicitado, não fez aviso formal de seus problemas de ordem emocional”. Ele afirma que a escola “carrega em sua história uma opção clara pela valorização da diversidade humana”.

De ogro a mulher
Para Luiza, a perda do emprego foi um entre outros obstáculos que enfrentou após sua transição de gênero. Sair da posição de homem branco de classe média para a de mulher trans, conta, foi como “sair do topo da cadeia alimentar do capital e ir para o último lugar da escala”. Seu cotidiano passou a se povoar de medos e limites que muitos homens nem imaginam que existam, embora sejam bem conhecidos das mulheres.

Sair sozinho à noite para comprar um maço de cigarros no posto de gasolina, algo que Luizão fazia sempre, é um hábito que Luiza prefere evitar. Das vezes em que fez isso, ficou assustada com os olhares que recebeu e percebeu que era a única mulher naquele horário e local. Por duas vezes, já foi seguida por carros ao voltar a pé sozinha para casa. Se Luizão, ao sair na rua à noite, só tinha receio de ser assaltado, Luiza passou a lidar com o medo de apanhar e ser estuprada. “Comecei a perceber violências clássicas que as mulheres sofrem diariamente.”

Mas nenhum problema é capaz de fazer Luiza se arrepender da sua mudança, que veio lhe trazer uma paz como não conheceu ao longo das três décadas de angústia que viveu como homem, sem conseguir entender os próprios desejos. “Eu pensava: ‘eu gosto de mulher, então não sou viado’”, conta. “Era um desejo confuso de ser e ter. Eu queria ter as mulheres lindas, mas ao mesmo tempo queria ser como elas.”

Formado em filosofia pela USP em 2004, adotou na faculdade um visual de “ogro barbudo e cabeludo” que levou para a vida adulta. “Eu era assim para me esconder, dos outros e de mim”, avalia hoje. Tudo mudou em 2012, no dia em que foi a um restaurante japonês com um amigo e viu um casal de meninas numa mesa ao lado. “Fiquei transtornado. Percebi que não queria estar ali com elas, eu queria ser uma delas.” A chave virou quando concluiu: “Sou lésbico”.

A metamorfose começou com Luiza entrando em supermercados às 2 da manhã, atrás de lingeries para usar escondida em casa, e prosseguiu com o corte da barba a laser e o tratamento hormonal. Durante quase dois anos, foi uma trans no armário. Pintava as unhas de vermelho em casa, mas ao ir para a escola removia tudo com acetona e ainda usava jaleco para esconder os seios que começavam a aparecer.

Só no final de 2013 Luiza contou o segredo aos professores do Anglo. De início, aceitaram bem. Mas, a partir daí, Luíza começou a perder espaço na escola.

Mulher de meio expediente 
No começo de 2014, Luiza perdeu os grupos de debates que coordenava. No segundo semestre, conta que foi proibida de abordar assuntos de gênero e sexualidade na sala de aula. Logo ela, que vivia usando as diferenças entre homens e mulheres para fazer os alunos questionarem verdades estabelecidas e aprenderem a pensar. “Já que não tem preto aqui, vou falar de mulher, porque quero incomodar vocês”, costumava dizer na abertura do curso. E incomodava.

“Vocês sabiam que vão ganhar 30% a menos do que eles quando estiverem no mercado de trabalho?”, costumava perguntar às meninas. “Ele cutucava o que tinha de mais enraizado nos alunos e mostrava as contrariedades e hipocrisias de tudo aquilo em que estávamos imersos por sermos parte da sociedade”, recorda a aluna Pietra.

A professora manteve ao longo do ano a rotina de mulher de meio expediente, continuando a ser Luiz para os alunos. A revelação só veio em novembro, quando os alunos descobriram um perfil feminino que Luiza havia criado no Facebook. Muitos pensaram que fosse algum tipo de protesto contra o machismo. “O que é aquilo, professor?”, perguntaram. Mesmo com medo do que podia acontecer, Luíza foi em frente. Foi aí que respondeu: “O tio Luiz na verdade é tia Luiza. Eu sou transexual”.

“A reação dos estudantes foi muito positiva. Houve aceitação e respeito apesar do estranhamento de alguns poucos alunos no começo”, lembra a aluna Marina. Na saída de um dos colégios, Luiza conta que um aluno o abraçou e disse: “obrigado, professora”. Os estudantes passaram imediatamente a tratar a professora no feminino, disseram que podia vir com roupas femininas o quanto antes e, nas provas, riscavam os textos em que o nome dela aparecia como Luiz, escrevendo LUIZA por cima.

Após se revelar na escola, voltando para casa, à noite, pela Raposo Tavares, Luíza conta que teve a sensação de que seu peito se abria de lá “saía voando uma revoada de pássaros ou morcegos, sei lá”. Um mal estar que sempre havia sentido, um gosto cinza que morava dentro dela, foi embora. Lembrou de quando tinha cinco anos e pediu às estrelas cadentes da praia que a transformassem numa menina. “Eu pensava: foram 30 anos de um sonho que agora está acontecendo. As noites de insônia, as angústias, todos os dramas, tudo foi embora. Estou viva.”

Última lição 
Estava pronta para ser feliz, mas o mundo à volta de Luiza não iria facilitar. Diferente dos alunos, os pais não acolheram a novidade com tanto entusiasmo. “Uma grande parcela não aceitou e falou coisas do tipo ‘como ela vai dar aula agora?’, como se o fato dela ser mulher trans mudasse o intelecto que ela tem”, conta Marina. Bem que os adultos desta história poderiam aprender algumas lições com seus filhos.

No ano seguinte, vieram os cortes de quase 70% no salário e nas aulas. “Os caras foram me destruindo como professora”, conta. Desesperada, Luíza começou o ano letivo vendendo parte da sua coleção de livros, acumulada ao longo de anos, para pagar as contas. “No meu primeiro Dia das Mulheres, estou vendendo meus filhos”, escreveu no Facebook em 8 de março. Sentiu-se ainda pior ao perceber que nenhum professor lhe ofereceu apoio. “Aquele silêncio à minha volta me fez muito mal.”

Mergulhou na depressão e tentou suicídio duas vezes. Na primeira, tomou todos os antidepressivos que tinha em casa. “Descobri que não mata, só zoa.” Na segunda, passou quatro dias sem comer, enchendo-se de remédios para dormir, tentando morrer de inanição. Foi salva pelos amigos.

Ao ser demitida, estava tão deprimida que passou um tempo sem saber como reagir. “Não estava pensando direito. Achava que a culpa era minha”, lembra. Agora está decidida: pretende processar o Anglo por danos morais. “Vai ser importante não só para mim, mas para abrir jurisprudência para casos de transfobia no ambiente privado”, afirma. É uma lição que a professora pretende ensinar à escola.

Outro lado: Entrevista com Wagner Dias, coordenador de ensino médio do Colégio Anglo Leonardo da Vinci

Ponte – Por que Luíza foi demitida?
Wagner Dias – A demissão da professora Luiza foi decorrente de problemas de ordem profissional ligadas ao cotidiano de aulas, compromissos e relações éticas de uma escola. Infelizmente estas questões detalhadas não podem ser expostas publicamente em respeito à figura da professora Luíza e aos próprios trâmites internos da escola. No entanto, desde maio deste ano ficou ausente da escola e, exceto quando solicitado, não fez aviso formal de seus problemas de ordem emocional.

Ponte – A professora diz que a demissão foi motivada por transfobia. O que o Anglo tem a dizer a respeito?
Wagner – Ficamos surpresos com o motivo levantado pela professora, que talvez não tenha sido colocado nestes termos. Como mostrou matéria de Catraca Livre no ano passado, a professora estava bastante satisfeita com o ambiente de acolhida que recebeu de todos, alunos, professores e funcionários, quando expôs publicamente sua mudança.

Desde o momento em que procurou os responsáveis pelo andamento da escola, por volta do início do ano passado, foi criado um plano de acolhimento, que envolveria todos os membros do ambiente escolar. A professora inclusive participou de viagens de estudo do meio, comemorações e reuniões de pais, sem qualquer constrangimento.

Ponte – A escola recebeu pressões de pais ou funcionários para demitir Luiza?
Wagner – Sim, houve por parte de pais, mas em número muito menor do que imaginado por nós. E essa foi uma parte difícil pois alunos, professores, coordenadores e funcionários se manifestaram solidários à sua escolha. Quanto aos pais reticentes foram atendidos individualmente e tranquilizados quanto ao trabalho pedagógico e de formação de seus filhos.

Ponte – Como o Anglo vê as discussões sobre gênero em sala de aula?
Wagner – As discussões de gênero e outras ligadas às injustiças sociais são tratadas sem constrangimento em sala de aula, como a própria professora fazia sem que houvesse qualquer tipo de impedimento ou assédio moral. Nossa escola carrega em sua história uma opção clara pela valorização da diversidade humana e foram inúmeros os casos em que houve acolhida a estes casos e crítica contundente à qualquer tipo de conduta intolerante.

Ponte – Ao demitir uma professora trans, qual a lição que o Anglo acredita que está passando aos seus alunos?
Wagner – A escola não pretende dar lição alguma, por não se tratar de um problema de ordem trans, e sim de ordem profissional. São questões diferentes. O curso ministrado pela professora deveria ser mantido incólume a qualquer questão de ordem pessoal. O fato infeliz de sua demissão não carrega qualquer carga de oposição à sua opção transgênero, mas sim ao cumprimento de obrigações didático-pedagógicas.

(*) Reportagem publicada originalmente em PONTE.org

Fonte: Painel Acadêmico

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Crato (CE): Quarteto embalava e vendia drogas em uma banquinha no meio do mato

Menores R. A. F.; C. E da S. P.; e M. T de O., além do jovem Gabriel Rodrigo 
Com a polícia está apertando o cerco no perímetro urbano, os traficantes estão correndo para o mato onde até encontraram formas ousadas de comercializar drogas dispondo-as em uma banquinha enquanto vão embalando as substâncias entorpecentes. Por volta das 14 horas desta terça-feira inspetores da Delegacia Regional de Polícia Civil de Crato prenderam um jovem e apreenderam três adolescentes “endolando” 160 gramas de maconha para a comercialização.

Os policiais foram avisados sobre a atividade dentro do mato nas imediações da Rodovia Pinto Madeira. O cabeça do “negócio” é o presidiário Gabriel Rodrigo Leite Cruz, de 21 anos, o qual responde por roubos e, no mês de maio, conquistou o regime semiaberto. Ele se fazia acompanhar dos menores R. A. F, de 17, e M. T de O., e mais C. E da S. P., ambos de 14 anos. Gabriel mora na Avenida Arajara, 285 (Bairro Vila Lobo), enquanto o adolescente de 17 anos reside no Alto da Penha e os outros dois, respectivamente, nos bairros Pinto Madeira e São Miguel.

O quarteto foi flagrado com um rolo de papel alumínio e uma faca embalando as 160 gramas de maconha para dispor aos “clientes”, mas já tinha apurado R$ 349,00. O menor R. A. F. já tinha sido apreendido com drogas no último dia 3 de dezembro junto com o jovem Sidney Pereira, de 18, e outro adolescente de 13 anos. O trio se embrenhou num matagal perto do campo Beira Rio no bairro Vila Lobo, mas foi localizado em um rio quando os PMs encontraram perto das roupas de R. A. F dinheiro e trouxas de maconha.

Apesar da pouca idade, C. E da S. P já em varrias passagens pela polícia. Uma delas foi no último dia 3 de novembro, na Travessa Monsenhor Lima, 47 (Bairro Pinto Madeira) com uma escopeta calibre 12 tendo um cartucho intacto a qual o garoto disse ser o dono. Já no dia 10 de março deste ano, ele foi apreendido junto com o jovem Ricardo Veridiano Pereira Nascimento, de 28 anos, em uma moto Honda de cor preta com 35 gramas de cocaína e R$ 118,00 em dinheiro.

Demontier Tenório

Fonte: Miséria

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Usuários anseiam por ciclovia na região do Cariri

Novas propostas para avanços na área de mobilidade urbana em Juazeiro do Norte animam principalmente os ciclistas. Após ter sido iniciada a ciclofaixa, que aos poucos vem contando com a adesão de novos adeptos, entre as cidades de juazeiro e Barbalha, na CE-060, a expectativa agora é para a implantação da ciclovia, que deverá ser construída inicialmente entre as cidades de Crato e Juazeiro, conforme o governador do Estado, Camilo Santana, anunciou no Cariri, durante a implementação da ciclofaixa.

As ruas tomadas de automóveis em Juazeiro, principalmente no horário de almoço e no fim do expediente, têm sido um grande sufoco para quem precisar trafegar pela cidade. No período das romarias, a situação se torna ainda pior, por conta do aumento de carros, principalmente os de grande porte. Por conta disso, um dos incentivadores do esporte, o comerciante João Almeida, afirma que é necessário os ciclistas estarem unidos para que o projeto seja desenvolvido o mais rápido possível na cidade, já que é uma demanda antiga dos praticantes.

A primeira vitória, com a inauguração da ciclofaixa, foi bastante comemorada. Ela funciona todos os domingos, na Avenida Leão Sampaio, num percurso de seis quilômetros, das 7h ao meio-dia. Foram mais de 200 ciclistas ao local no primeiro dia de utilização. O trajeto é separado e sinalizado por cones.

Segurança
A ciclovia, no entanto, seria a alternativa definitiva para os praticantes do ciclismo, trabalhadores e estudantes, além de incentivar as pessoas a pedalarem pelas ruas do Cariri com mais segurança, segundo opina o empresário Itiberê Fontenele. Ele fez parte dos primeiros grupos de ciclistas que começaram a se formar na região. Atualmente, são mais de 3 mil praticantes, nas principais cidades da Região Metropolitana do Cariri (RMC).

A ideia é integrar as cidades que formam o Crajubar. Mas o trajeto de Juazeiro do Norte a Barbalha seria uma segunda etapa do projeto. Essa é uma luta antiga que vem se intensificando nos últimos anos e os integrantes dos grupos de ciclismo já começaram a ocupar as câmaras municipais no intuito de mobilizar as autoridades.

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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Dilma corta verba para pré-escola e creche; vagas eram promessa eleitoral

A expansão da oferta de vagas em creches e pré-escolas no país, uma das promessas do governo Dilma Rousseff (PT), será afetada pela redução do orçamento do Ministério da Educação.

Do total de R$ 9,2 bilhões cortados na pasta, R$ 3,4 bilhões (37%) eram destinados à construção de unidades de educação infantil, além de quadras esportivas.

Para gestores, a medida vai comprometer a obrigatoriedade de matrícula, a partir de 2016, de todas as crianças de 4 e 5 anos, prevista na legislação desde 2009. Segundo dados de 2013 (os mais recentes disponíveis), a taxa de atendimento dessa faixa etária é de 87,9%.

"Como podemos ser uma pátria educadora sem financiamento?", questiona, em referência ao slogan do governo federal, Edelson Penaforth, secretário municipal de educação de Tonantins (AM) e presidente da Undime (entidade que reúne secretários municipais de educação) na região Norte.

Com população de 18 mil habitantes, a cidade solicitou recursos para a construção de duas creches, mas as obras ainda não começaram. "O não repasse de recursos certamente vai atrasar o atendimento das metas [de inclusão de crianças]", diz Eduardo Deschamps, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

Universidades
A conclusão de obras no ensino superior também terá o cronograma adiado. Segundo dados obtidos pela Folha, o corte em universidades e institutos federais será de R$ 1,9 bilhão, de um total da ordem de R$ 3,2 bilhões para investimentos.

Obras com mais de 70% de conclusão terão prioridade para receber a verba. Com isso, na UFABC (Universidade Federal do ABC), por exemplo, a expansão do campus de São Bernardo foi adiada para 2016.

As universidades federais também foram afetadas pela redução do orçamento da Capes, agência federal de fomento à pesquisa. O corte de verba diminuiu os recursos para atividades e bolsas de pós-graduação.

Na UnB (Universidade de Brasília), o repasse caiu de R$ 4 milhões para R$ 1 milhão, segundo o decano de planejamento e orçamento da universidade, César Tibúrcio. "Por conta disto, muitas bancas de mestrado e doutorado estão ocorrendo via Skype ou similar", disse ele.

Uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Dilma no ano passado, o Pronatec (programa de ensino técnico e profissional) também foi afetado pelo ajuste fiscal do governo.

A redução de 3 milhões para 1 milhão de vagas no programa representou economia de cerca de R$ 400 milhões. Os cortes também atingiram as emendas ao Orçamento destinadas à educação por deputados e senadores, e a Avaliação Nacional da Alfabetização, que seria realizada pelo Inep (instituto ligado ao MEC), foi suspensa, conforme publicado no jornal "O Estado de S. Paulo".

Outro lado
O Ministério da Educação afirma que estão garantidos os recursos para obras em andamento de creches, escolas e quadras. "Novas obras serão redimensionadas", diz.

O ministério destaca ainda que o ajuste realizado pelo governo federal "preserva os programas e ações estruturantes e essenciais" em educação, que carrega o lema do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

Assim, programas como Pronatec e Ciência sem Fronteiras "têm sua continuidade garantida este ano", mas também haverá "redimensionamento da oferta". Segundo a Capes, mais de 14 mil bolsistas do Ciência sem Fronteiras, selecionados em edital de 2014, irão para o exterior neste semestre.

Esse grupo ainda faz parte da meta inicial do programa, de conceder 101 mil bolsas. "Somente após esses estudantes estarem em suas instituições de destino serão definidas novas etapas do programa", informou a Capes. A promessa do segundo mandato de Dilma é enviar mais 100 mil ao exterior.

O Inep diz que o cancelamento da avaliação de alfabetização foi motivado por "questões pedagógicas", já que neste ano será possível fazer uma comparação entre os resultados obtidos em 2014 e 2013. Em 2016, a aplicação da prova será retomada.

Fonte: Folha.com

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Crato (CE): Agricultores vem participando ativamente do Seguro Safra

A Secretaria de Agricultura do Crato vem desenvolvendo em parceria com o Ministério da Agricultura o Seguro Safra, que tem como objetivo cobrir as perdas da lavoura por parte de produtores de baixa renda.

Este ano em função do aprofundamento da estiagem que chega agora ao quarto ano, os produtores recebem um boleto no valor de R$ 14,00 e caso  chegue a ter perda na lavoura o trabalhador rural um valor estimado em R$ 170,00 em cinco parcelas por conta das perdas.

A Prefeitura do Crato, segundo Enrile Pìnheiro, vem participando ativamente do programa Seguro Safra e é um parceiro da agricultura familiar. “Daí a importância do prefeito ter pago antecipado  os valores referentes ao Município dentro do programa”, afirmou.

Assessoria de Imprensa/PMC

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Carteira de habilitação deve ter reajuste de 20%

Os alunos de autoescola que irão tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria B, a partir do dia 31 de dezembro deste ano, serão obrigados a ter aulas práticas em um simulador de direção. A regra, que foi estipulada em 2013 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e gerou polêmica agora, foi reeditada e novamente imposta. A norma, publicada no Diário Oficial da União segunda-feira (20), já gera projeção de encarecimento de 20% no custo da CNH e, de novo, é motivo de resistência entre donos de autoescolas. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Ceará descarta o aumento.

O uso obrigatório do simulador de direção - equipamento que imita um automóvel com um percurso virtual - foi determinada, agora, pela Resolução 543 do Contran e segundo o Ministério das Cidades, segue um apelo dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) de todo o País. Em 2013, o órgão publicou a Resolução 444 com a mesma exigência, porém, a resistência em alguns estados resultou em pequena adesão no território nacional e "revogação" da norma.

Com a obrigatoriedade da tecnologia de simulação, os candidatos à obtenção da CNH ou os condutores que irão mudar de categoria serão obrigados a fazer, no mínimo, cinco aulas de 30 minutos cada no simulador. Em uma das aulas, o conteúdo será noturno. O uso dos simuladores ocorrerá após o curso teórico e antes das aulas práticas.

De acordo com a Resolução 543, as aulas nos simuladores terão conteúdo didático e tratarão, dentre outros, de conceitos básicos de condução, marcha, curvas, regras de segurança e vias de tráfego. A cada aula ministrada no simulador, o software nele instalado terá, no mínimo, dez situações que retratem as normas gerais de circulação e conduta no trânsito.

Hoje, o uso do simulador já é uma prática no Rio Grande do Sul, Acre, Paraíba e Alagoas. Em uma segunda etapa, a exigência também será obrigatória para os condutores de veículos comerciais, caminhão, ônibus e motos.

A implantação da norma causa polêmica no Brasil desde 2013. Para embasar a obrigatoriedade, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) solicitou à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a elaboração de estudos sobre o uso do equipamento na formação dos condutores. Segundo o Ministério da Cidades, os pesquisadores concluíram que o simulador "treinará motoristas fora das vias públicas e isso garantirá a integridade física dos candidatos e dos instrutores".

Impacto
No Ceará, os donos de autoescolas, que em 2013, já haviam se posicionado contra a norma, seguem resistindo à instalação dos equipamentos. Segundo o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Veículos, Wellington dos Santos, a avaliação é que "a máquina não condiz com a realidade", além de trazer um grande impacto financeiro, já que cada equipamento custa, em média, R$ 40 mil. De acordo com Wellington, nenhuma das 360 autoescolas associadas do Ceará têm o equipamento ainda.

"É uma máquina muito cara e que não melhora a formação prática nas ruas. Deve-se apostar na melhoria da formação por outras vias como a remodelação da educação infantil, a atualização dos instrutores de autoescola, a cobrança de melhores avaliações do Detran e fiscalização mais atuante nas ruas", ressalta.

Wellington diz ainda que o impacto no valor da CNH é devido ao investimento na compra dos simuladores. O custo das carteiras de habilitação deve ser acrescido, em média, em R$ 300,00. Hoje, o valor médio da CNH, no Ceará, categoria B, segundo ele, é de R$ 1.500,00.

Conforme Wellington, a categoria deve se organizar para avaliar quais medidas serão adotadas. Em 2014, as autoescolas do Ceará alegaram a impossibilidade de adquirir os equipamentos, o que "forçou" o Detran a renegociar com o Contran prazo para cumprimento da norma. Wellington acrescenta que a Resolução "não tem força de lei" e que a entidade irá articular junto ao Congresso Nacional o estabelecimento de uma lei que regulamente definitivamente esta situação no País inteiro.

Custos reduzidos
O superintendente do Detran, Igor Ponte, é enfático ao garantir que "não haverá aumento do custo das carteiras, já que a obrigatoriedade do simulador é uma substituição das aulas que hoje são praticadas em veículos". Para ele, com a norma, os custos da autoescolas serão reduzidos por não haver o mesmo gasto com combustível e pagamento de instrutores. "As autoescolas podem dizer que vão ter aumento para tentar pressionar o aumento da demanda", avalia.

Igor critica ainda a forma como a nova Resolução foi imposta, pois assegura que "não houve participação dos Detrans no debate" encabeçado pelo Contran. Ele analisa que o êxito do uso dos simuladores dependerá da qualidade dos equipamentos. "Antes de o aluno entrar na via, na parte prática, é válido que ele tenha uma fase de simulação. Mas, só agora vamos ter condições de avaliar a eficácia desses produtos", garante.

THATIANY NASCIMENTO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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Camilo Santana nomeia delegados que atuarão no interior do Estado

O governador Camilo Santana nomeou, nesta terça-feira (21), novos delegados da Polícia Civil de 1ª Classe, que serão destacados para atuarem no interior do Estado. “Eu, que também sou servidor público concursado, sei que esse é um momento que marca nossa vida. Um cargo que foi conquistado com muita luta, muito suor, muita determinação por vocês. Portanto, sejam bem-vindos e se dediquem ao povo do Ceará porque é pra eles que nós servimos”, afirmou o chefe do executivo.

Os profissionais Edonaldo Gomes, Lucas Aragão, Otávio Duarte e Patrícia Sena, que foram empossados pelo governador, são remanescentes do concurso de 2006 e atuarão - em princípio -, em três municípios cearenses: Acopiara, Nova Russas e Santa Quitéria. Todos participaram do curso de formação na Academia Estadual de Segurança Pública (AESP) durante três meses, ocasião em que aprenderam técnicas de defesa pessoal, tiros, interrogatórios, entre outros.

O delegado-geral da Polícia Civil, Andrade Júnior, falou sobre a posse dos delegados e do concurso em andamento para profissionais da segurança. “A chegada desses delegados repercute de forma positiva no combate a criminalidade, principalmente no fortalecimento do sistema de Segurança Pública do Estado. Ainda este ano, iniciaremos um curso de formação para 168 novos delegados; 336 escrivães; e 259 inspetores; que reforçarão os quadros da polícia Civil”, informou.

RdelegadapersonagemA delegada empossada Patrícia Sena falou de que forma será a atuação da equipe. “Vamos mostrar agora todo o conhecimento que adquirimos durante a academia de polícia e elevar ainda mais o nome da Polícia Civil do Estado, que cresce cada vez mais. A população pode esperar uma delegada dedicada, atuante e compromissada com esse povo que necessita do nosso trabalho”, disse.

Camilo aproveitou para parabenizar o trabalho dos policiais, que contribuem diretamente para a redução no índice de criminalidade no Ceará. “Quero parabenizar o trabalho que tem sido feito pelas polícias militares e civis de forma integrada, liderada pelo secretário Delci Teixeira, que têm apresentado resultados importantes nos últimos seis meses no Estado. Isso é fruto da dedicação, da integração, das diligências desses profissionais, que agora vocês passam a fazer parte”, ressaltou.

Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Ceará (Adepol), Milton Castelo, a nomeação dos profissionais fortalecerá na redução apresentada pelo Estado. “O que vimos aqui representa um avanço para Segurança Pública do Estado. Aliado ao concurso em andamento para o ingresso de mais 168 novos delegados, a Polícia Judiciária desenvolverá o trabalho mais profícuo, de modo que a sociedade sairá beneficiada”, disse.

O evento contou com a presença dos secretários Delci Teixeira (SSPDS), Jeová Mota (Sesporte), Túlio Studart (Casa Militar); o deputado estadual José Sarto; o presidente da OAB-Ceará, Valdetário Monteiro; o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Ceará (Adepol), Milton Castelo; além de prefeitos e familiares dos delegados empossados.

Coordenadoria de Imprensa do Governo do Estado

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Pátria educadora? Cortes no Pronatec frustram alunos e faculdades privadas

Em setembro, a maranhense Laurenilcy Ribeiro era uma das alunas mais entusiasmadas de um curso de Informática do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece cursos gratuitos em instituições de ensino públicas e privadas e foi uma das bandeiras da presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2014.

Entrevistada pela BBC Brasil, ela contou que, após trabalhar como cozinheira em casas de família em São Paulo por duas décadas, estava feliz com o emprego em uma rede de supermercados e, em especial, com a volta à sala de aula.

Além de frequentar o Pronatec, na época Laurenilcy também cursava uma faculdade de Marketing, paga com ajuda do Fies – o Fundo de Financiamento Estudantil, outro carro-chefe da campanha de Dilma.

Dez meses depois, pouco parece ter sobrado desse entusiasmo. "Foi tudo uma grande decepção", diz Laurenilcy.

"No final do ano houve atrasos nos repasses para cursos Pronatec. Alguns professores acabaram sendo demitidos e passamos correndo por alguns conteúdos. Consegui concluir o curso, mas com a economia em baixa não tenho perspectivas de aproveitar o que aprendi. As notícias dos cortes no Pronatec e as novas regras para o FIES também me fizeram pensar que podia não valer a pena investir tanto nos estudos... que esse apoio do governo poderia não ser sustentável. Acabei desistindo até da universidade", conta a maranhense.

Sua colega de curso Marieuleni Barreto também se diz decepcionada com os rumos do programa. Ela conta que o projeto contribuiu para sua decisão de votar em Dilma nas eleições de outubro. "Imagino que esses cortes tenham sido inevitáveis dado a situação da economia, mas para mim representaram uma grande frustração."

'Ajuste necessário'
Desde 2011, quando o Pronatec foi criado, 8 milhões de pessoas passaram pelo programa. A promessa feita pela presidente durante a campanha era matricular mais 12 milhões estudantes até 2018.

Nos primeiros meses deste ano, porém, o Ministério da Educação (MEC) já anunciou que em 2015 a oferta de vagas cairá 60% - dos 2,5 milhões de 2014 para apenas 1 milhão.

A redução faz parte dos esforços para a promoção de um ajuste fiscal: no total, devem ser cortados mais de R$ 9 bilhões do orçamento para a educação.

"O ajuste fiscal se baseia numa realidade", explicou o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, em entrevista à BBC Brasil no início do mês.

"Tem-se menos dinheiro, então o que estamos fazendo é procurar preservar ao máximo possível a qualidade dos programas, sua essencialidade, e escalonar o que não possa ser feito neste ano para fazer no futuro. E também reavaliar projetos e programas em andamento para ver onde podem ser aprimorados."

Fernando Soria, vice-presidente executivo das Faculdades Sumaré, uma das instituições privadas provedoras de cursos Pronatec diz que "todos entendem que o ajuste fiscal era necessário".

"O problema é que as promessas sobre o programa criaram uma série de expectativas entre estudantes e provedores que não serão atendidas. Faculdades como a nossa, que acreditaram no programa e se prepararam para oferecer seus cursos, agora estão no prejuízo."

Na primeira fase do Pronatec, a Sumaré teria recebido autorização para abrir 7 mil vagas. Hoje, ainda tem 800 alunos, mas, segundo Soria, não teve nenhuma vaga aprovada para o próximo ciclo do programa.

"Fomos obrigados a demitir 200 pessoas, entre professores, coordenadores e funcionários administrativos. Investimos mais de R$ 4 milhões para participar do programa e oferecemos até tablets grátis para os alunos acompanharem os cursos. Mas depois de outubro, o governo começou a atrasar os repasses. Acabou a eleição, acabou o pagamento. Chegamos a ter 4 meses de atraso."

Henrique Gerstner, diretor das Escolas e Faculdades QI, maior rede privada de ensino técnico do sul do país, também relata atrasos de "3 ou 4" meses nos repasses de recursos e critica a forma como foram feitos os cortes.

No caso da QI, as vagas aprovadas passaram de 1.800, em 2014, para 1.050. "A questão é que nunca tivemos qualquer indicação de que haveria uma redução dessa magnitude. Em um governo que tem como lema 'Pátria Educadora', fomos pegos de surpresa", diz ele.

O diretor da QI defende que o Pronatec tem tido resultados "excelentes" e diz que a parceria com o governo no geral é interessante para as instituições privadas.

"Mas ela também criou alguns efeitos negativos. Hoje há alguns estudantes que não se matriculam nos nossos cursos pagos porque ficam nessa expectativa de receber os cursos grátis", diz ele.

Outro lado
O MEC admite que houve atrasos nos repasses para alguns provedores, mas diz que eles não passaram dos três meses e a situação já foi regularizada.

Segundo o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério, Marcelo Feres, algumas instituições privadas podem ter saído prejudicadas na distribuição de vagas porque há um esforço para aumentar o alcance geográfico do Pronatec, ampliando o número de municípios que recebem o programa. Com isso, entidades que não têm unidades fora de grandes centros urbanos perderiam.

"Mas a oferta de curso técnico em instituições de ensino superior privadas foi feita com a intenção de aproveitar a capacidade instalada, os professores, a estrutura que já existia. Nunca foi dito que as instituições deveriam fazer oferta de vaga maior do que a sua capacidade. Isso é temerário, nós não concordamos."

Feres também diz que as frustrações com o programa parecem estar concentradas nas faculdades privadas. "As instituições privadas são parceiras importantes. Mas a análise dessas instituições, que representam 7% do Pronatec pelos dados de 2014, não podem ser confundidas com a análise de todo o programa."

No esquema que serve de base para o Pronatec, o governo paga escolas técnicas, entidades do Sistema S (Senai, Senac, Senar e Senat), instituições federais e – desde 2013 – faculdades particulares para que elas ofereçam gratuitamente cursos técnicos e de qualificação profissional.

O público vai de estudantes ou jovens que apenas acabaram o ensino médio a desempregados e trabalhadores interessados em se requalificar.

De 2011 a 2014, foram investidos no programa cerca de R$ 14 bilhões. Provedores disseram receber por hora/aula para cada aluno de R$ 5 a R$ 8. Em um curso técnico de 1.000 horas, isso significa um custo de até R$ 8 mil por estudante. Mas também há cursos de menor duração - os chamados cursos de Formação Inicial e Continuada (FICs), que vão de 160 a 400 horas.

Entre os que oferecem cursos do programa, de fato também há quem veja o enxugamento de maneira menos crítica, como Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai, maior provedor individual do Pronatec.

Para ele, os cortes são uma "acomodação devida" em função da necessidade do governo reduzir gastos - e o fato de a economia estar desacelerando faz com que não haja uma pressão tão grande no mercado de trabalho pelos profissionais técnicos no momento.

"É claro que ter quase 3 milhões de alunos em um ano e 1 milhão no outro traz ajustes necessários para todos os parceiros (do programa). Estaria mentindo se dissesse o contrário", diz Lucchesi, após esclarecer que, no Senai, o número de vagas Pronatec deve passar de 1,2 milhão para algo em torno de 400 mil, este ano.

"Mas entendemos que o ajuste é necessário e compreensível. Além disso, a educação continua a ser uma prioridade clara desse governo – particularmente a educação profissional. Por isso, acreditamos que essa retração em 2015 será compensada por uma expansão em 2016."

Para Carlos Lazar, do Grupo Kroton, maior grupo educacional brasileiro, o programa de fato poderia "ganhar em previsibilidade", mas já haveria um diálogo com o governo para melhorar essa questão.

"De qualquer forma, nossa exposição ao programa sempre foi relativamente baixa e continuamos a acreditar que há um compromisso do governo com as melhorias na educação", diz.

Críticas
Há quem discorde. Na opinião de Mariza Abreu, que por mais de 20 anos foi consultora legislativa na área de educação, o que levou o governo a expandir de forma acelerada o Pronatec em 2014 e prometer um aumento ainda maior das vagas no segundo mandato da presidente pode não ter sido apenas uma vontade de promover avanços nessa área.

"Parece que a lógica era 'vamos fazer qualquer coisa para vencer as eleições e depois a gente administra' (os gastos e compromissos decorrentes dessas promessas)."

O governo nega que a expansão do programa tivesse tido fins eleitoreiros. Questionado sobre a promessa das 12 milhões de matrículas no Congresso, Janine afirmou que este é um ano fora da curva, depois de 12 anos de investimentos crescentes na educação.

"Passamos de R$ 18 bilhões de orçamento do MEC, em 2002, para bem mais de R$ 100 bilhões agora. Uma vez superada essa situação e restaurada a saúde da economia, teremos condições de continuar nessa trajetória [de crescimento]", disse o ministro.

Um estudo feito pelo economista Marcos Mendes, consultor do Senado, mostra que, de fato, na última década os desembolsos para o setor passaram de 4% a 9,3% da receita líquida do Tesouro. Em termos reais, esses recursos quase quadruplicaram.

Para muitos especialistas, porém, o problema é que a expansão dos gastos não veio acompanhada de um avanço na questão da qualidade do ensino - o que seria refletido na estagnação dos índices de produtividade do trabalhador brasileiro.

"Chama a atenção, por exemplo, que os gastos com programas como o Pronatec, o Fies e o Ciências sem Fronteiras se expandiram em um ritmo fora da curva, muito mais acelerado que os aportes do governo federal para a educação básica. E as perguntas que estamos começando a fazer agora é: Esse aumento foi correto? E é sustentável?", questiona Abreu.

O professor do Insper Otto Nogami concorda que o momento de crise que o Brasil vive hoje pode ser uma oportunidade para a reavaliação das estratégias na área de educação e opina que, no caso específico do Pronatec, ainda faltam mais dados para avaliar a eficiência do programa.

"Precisamos saber se o que os alunos aprendem é relevante, se eles conseguem emprego e se de fato há um avanço na questão da produtividade", opina.

Feres, do MEC, diz que já haveria iniciativas para avaliar o programa e menciona uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e outra com o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). "No programa como um todo está havendo uma revisão, o que é um processo natural de aperfeiçoamento de uma política pública. Não dá para fazer política pública achando que o primeiro modelo proposto é o melhor."

Fonte: BBC Brasil

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Crise é política, moral e inédita, afirma Paim

Em passagem por Fortaleza, o senador Paulo Paim (PT-RS) revelou nunca ter visto, mesmo depois de estar há quase 30 anos no Congresso Nacional, uma crise política, moral e institucional com a proporção da enfrentada atualmente. Ele defendeu que o governo Dilma Rousseff conseguirá superar esse momento somente quando a presidente se dispor a dialogar mais.

O parlamentar, na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, participou ontem, ao lado do senador cearense José Pimentel (PT), de um debate na Assembleia Legislativa realizado para criticar o projeto que permite a terceirização para a atividade-fim. A matéria já aprovada na Câmara ainda aguarda a apreciação no Senado Federal.

Paulo Paim reconheceu o grande impacto que a crise política tem provocado ao pontuar a forma como ele mesmo tem atuado em relação a alguns projetos do Executivo. "É inegável que nós estamos vivendo uma crise. Não dá para dourar a pílula. (É uma crise) institucional, moral, econômica e social. Tanto é que eu mesmo tenho votado contra alguns projetos e tenho, digamos pela rebeldia natural e coerência da história, exigindo que haja mudança na política econômica do Governo."

O senador gaúcho detalhou que o cenário vivenciado é inédito e, ao se referir à postura do presidente da Câmara Eduardo Cunha, disse nunca ter presenciado um momento tão delicado na convivência entre os poderes.

"É algo inédito. Eu estou lá no Congresso há quase 30 anos e nunca vi uma postura dessa do presidente da Casa se posicionar como oposição ao outro poder, quando nós temos que viver na independência dos poderes, mas na harmonia da construção daquilo que é melhor para o País. É um momento delicado", ressaltou o parlamentar.

Paulo Paim chegou até a avaliar que o atual cenário representa ameaças à democracia. "Eu espero que isso passe e a gente volte à normalidade, porque estão brincando com algo muito sério, que é a democracia brasileira. Com democracia, não se brinca. Lá atrás houve uma vacilação e nós sabemos muito bem o que aconteceu", comparou.

Questionado como o governo Dilma Rousseff pode conseguir superar essa crise, Paulo Paim defendeu que a presidente precisa estar mais disposta para o diálogo e menos enclausurada no Palácio do Planalto.

"A presidenta tem que sair mais para conversar. Eu queria ver a presidenta num ato como esse aqui, conversando com os trabalhadores, com os sindicalistas, conversando com os empresários, conversando com os parlamentares. Não adianta sair para o Exterior ou ficar dentro do Palácio. Tem que vir para a rua, dialogar com a população", destacou o senador.

O parlamentar ainda defendeu que a mudança de postura também deve partir do PT. O senador destacou que a agremiação, se não voltar às origens, não terá condições de superar a crise enfrentada atualmente.

"Eu acho que o PT tem que voltar às suas origens, às suas raízes e há condição de se fazer isso. Defender os sonhos que nós sempre brigamos, os ideais que nós sempre brigamos, as causas que guiam nossas vidas. O que guia as nossas vidas não é o processo eleitoral. O que tem que guiar são as causas que nós sempre brigamos, defendemos", avaliou o senador.

Paulo Paim é hoje uma das lideranças petistas que rejeitam a condução da política econômica executada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O senador voltou ontem a fazer críticas.

Combate
"Nós temos que fazer o bom combate, o bom debate. E esse bom debate é que pode aprimorar a política econômica, preservando o direito dos trabalhadores, do assalariado, dos aposentados, daqueles que mais sofrem. Esse bom debate está contribuindo, tanto que as duas MPs que chegaram no Congresso Nacional chegaram de um jeito e saíram de um outro jeito", citou.

O senador petista também rebateu a preocupação levantada de que o Senado possa vir a barrar a recondução de Rodrigo Janot ao cargo de procurador-geral da República. "Eu não acredito que chegue a esse extremo."

Indagado sobre como ele acredita que os senadores se comportarão nas votações dos projetos da reforma política, Paulo Paim disse observar um cenário com muita preocupação.

"A reforma política tem que acontecer, mas não da forma que estão propondo. Eu estou muito preocupado. O maior problema para mim hoje é o financiamento privado de campanha. Isso é a porta da corrupção. Se analisar todas as denúncias que estão chegando aí, vocês vão ver que a desculpa era dinheiro para esse partido, para aquele partido. Era dinheiro para as campanhas. Mistura o privado com o público. Quem dá milhões e milhões para alguém, não dá de graça", apontou.

Quanto à análise da crise, o senador cearense José Pimentel (PT) corroborou com o correligionário e também fez críticas a Eduardo Cunha. Ele defendeu a luta social para superar momento. "O primeiro registro é que o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi o coordenador da campanha do senador Aécio Neves no Rio de Janeiro."

José Pimentel concordou com Paulo Paim e foi ainda mais incisivo na análise sobre a votação da reforma política no Senado. Para o petista, a Casa também não irá interferir no que choca com os interesses dos senadores. "A Câmara só aprova temas que dizem respeito ao Executivo e ao Senado. E o Senado só aprova propostas que dizem respeito à Câmara e ao Executivo. Portanto, é uma equação que não tem solução", justificou.

ALAN BARROS
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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Crato (CE): Polícia prende “Zé do Araguaia” e “Pinguelão” vendendo drogas

“Zé do Araguaia” e “Pinguelão” foram presos
em Crato em operações distintas
Inspetores da Delegacia Regional de Polícia Civil de Crato prenderam duas pessoas sob a acusação do tráfico de drogas naquela cidade. Por volta das 17 horas desta segunda-feira (20) o aposentado José Vicente da Silva, de 67 anos, apelidado por "Zé do Araguaia" e morador da Rua São Francisco, 138 (Bairro Pinto Madeira) foi preso pela terceira vez num período de três anos pelo mesmo motivo. Os policiais montaram campana na localidade conhecida ainda por "Gesso" diante das informações que “Zé” tinha voltado a vender drogas.

Eles aguardaram a chegada de um usuário para fazer o flagrante da comercialização e isso ocorreu com Tiago Gonçalves Aquino, de 40 anos, residente na Rua Monsenhor Lima, 232 naquele bairro. O viciado comprou uma pedra de crack e já estava de saída quando o vendedor bateu a porta ao notar a chegada de policiais. Eles ainda encontraram mais três pedras de crack numa bolsa e cerca de 400 sacos plásticos usados para embalar drogas, mas Zé negou e disse que gosta de fazer "dim dim". Foi recolhida ainda uma máquina fotográfica originária de um furto no início de junho no próprio bairro Pinto Madeira.

A outra prisão já aconteceu na manhã desta terça-feira na Travessa Potengi no chamado Bairro Cacimbas. A polícia soube que, uma casa abandonada, servia para os "aviões" do tráfico distribuírem drogas na área e, no local, foi preso Wellington da Costa Erculano, de 19 anos, apelidado por "Pinguelao” e morador do Sítio Brea (Distrito de Dom Quintino) na zona rural de Crato. Com ele, foram encontradas sete pedras de crack e certa quantia em dinheiro.

Demontier Tenório

Fonte: Miséria

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Governo especifica exigências para adesão ao programa que reduz salários e jornada de trabalho

O Ministério do Trabalho divulgou nesta terça-feira (21) as exigências para que as empresas que pretendem aderir ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego) comprovem situação de dificuldade econômico-financeira para se habilitarem.

Para tanto, será preciso que o percentual definido pela diferença entre admissões e desligamentos acumulada nos 12 meses anteriores ao pedido de adesão em relação ao estoque de empregados seja igual ou inferior a 1%.

Além disso, as empresas precisam comprovar que esgotaram alternativas como férias coletivas e uso de banco de horas para os funcionários colocados no programa.

O cálculo deverá levar em conta dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

"O governo aposta muito nesse programa. O momento está merecendo a execução de um programa deste porte", disse o ministro do Trabalho, Manoel Dias, em entrevista à imprensa.

O PPE foi lançado pelo governo no início do mês com a assinatura de Medida Provisória pela presidente Dilma Rousseff permitindo a redução da jornada de trabalho e dos salários em até 30%, com uma complementação de 50% da perda salarial bancada pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Durante o anúncio do programa, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rosseto, afirmou que o sistema é uma alternativa para o lay-off, esquema em que os trabalhadores têm o contrato suspenso por tempo determinado e recebem parte do salário pago pelas empresas com complemento do governo.

A medida impede demissões em empresas que aderirem ao PPE durante o período de vigência — que vai de 6 a 12 meses — e obriga a manutenção do vínculo por mais um terço desse tempo após o fim do programa.

Em baixa
A criação do PPE se dá em um momento de visível deterioração do mercado de trabalho no País, com impacto direto sobre a atividade econômica.

Em junho, o Brasil fechou 111.199 vagas formais de trabalho, no pior resultado para o mês desde pelo menos 1992. No semestre, a demissão líquida chegou a 345.417 trabalhadores, segundo dados com ajuste do Caged. Segundo o ministro do Trabalho, o governo aposta muito nesse programa.

— O momento está merecendo a execução de um programa deste porte.

Ele exemplificou que, em seis meses e para 50 mil trabalhadores, a redução de 30% da jornada de trabalho implicaria um gasto do governo com o PPA de R$ 112,5 milhões, sendo que no período haveria a manutenção da arrecadação com contribuições sociais.

Por outro lado, caso esse contingente de trabalhadores fosse demitido, haveria um gasto com seguro desemprego muito superior, de R$ 259,6 milhões.

Também presente na coletiva, o presidente da associação de montadoras de veículos, Anfavea, Luiz Moan, saudou a iniciativa do governo, que classificou como moderna, e lembrou que o limite de 1% definido para calcular a situação de dificuldade econômico-financeira já contempla todas as montadoras no País.

— A maior parte das nossas empresas está com número negativo de empregos. Então todos nós estaríamos incluídos.

Segundo Moan, algumas associadas já estão conversando com os sindicatos representativos para a adesão ao PPE, buscando a celebração de acordos coletivos prevendo a redução de jornada de trabalho e de salários.

Fonte: R7

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Cafeína é remédio ou veneno? Depende da sua idade

A diferença entre o remédio e o veneno muitas vezes está na dose, diz o ditado. No caso da cafeína, pode estar também na idade de quem a consome.

Enquanto em indivíduos adultos a substância parece proteger o cérebro de danos causados pelo estresse que podem desencadear quadros depressivos, na vida intrauterina pode atrapalhar o desenvolvimento cerebral e representar um fator de risco para doenças como epilepsia.

As conclusões são de estudos feitos com camundongos e apresentados durante a nona edição do Congresso Mundial do Cérebro (IBRO 2015), realizado no Rio de Janeiro de 7 a 11 de julho.

Na pesquisa coordenada há cerca de 15 anos por Rodrigo Cunha, da Universidade de Coimbra, em Portugal, o objetivo é investigar em que medida a cafeína pode prevenir o desenvolvimento de depressão, doença que afeta cerca de 15% da população e representa a primeira causa de incapacitação segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O grupo, que envolve colaboradores da Alemanha, Estados Unidos e Brasil, sujeitou ao longo de três semanas dois grupos de camundongos a situações de estresse crônico e imprevisível.

Um dos grupos começou a receber duas semanas antes do experimento cafeína na água de beber.

Testes mostraram que a concentração da substância encontrada na corrente sanguínea dos animais era equivalente à de um humano adulto que consome entre duas e três xícaras de café por dia.

“Tentamos reproduzir no modelo animal aquilo que todos nós humanos sentimos naquele momento da vida em que tudo vai mal. O carro quebra, perde-se o emprego, termina-se um relacionamento amoroso, descobre-se que um amigo tem câncer. Tudo é uma desgraça e, muitas vezes, esse conjunto de situações dá origem a um quadro depressivo”, contou Cunha em entrevista à Agência FAPESP.

No modelo animal, o estresse era induzido por situações como agitar a caixa onde estavam os camundongos durante alguns segundos, privá-los de comida temporariamente, dar banhos de água fria ou pequenos choques nas patas.

Uma série de testes bioquímicos, neuroquímicos, eletrofisiológicos e comportamentais foi feita após o período do experimento para avaliar fatores indicativos de depressão nos dois grupos.

“Como o animal não pode dizer se está ou não deprimido, avaliamos seu comportamento com uma série de testes já bem padronizados”, contou Cunha.

Um dos testes consiste em colocar o animal em uma situação de nado forçado por alguns minutos.

Em condições normais, o roedor tenta escapar a todo custo. Um camundongo deprimido, porém, costuma desistir rapidamente e começa a boiar.

“É como se ele esperasse que a vida resolvesse seu problema”, comentou Cunha.

Roedores deprimidos também demonstram menos interesse em se esforçar para alcançar uma bebida açucarada (perda de prazer ou anedônia), déficit de memória e tornam-se mais retraídos em momentos de interação social.

Também foi medido o nível de corticosteroide – o equivalente em animais ao cortisol, o hormônio do estresse – de algumas proteínas que costumam estar alteradas em quadros depressivos e o fluxo de informações em determinados circuitos neuronais.

“Observamos que a informação continua fluindo normalmente, o que muda na depressão é o sentido que se dá à informação que chega. A capacidade de se adaptar rapidamente em função de pistas externas parece perdida nos animais deprimidos”, contou Cunha.

Com base nos resultados dos testes, os pesquisadores concluíram que o grupo tratado com cafeína apresentou uma quantidade significativamente menor de sintomas depressivos em relação ao controle.

O passo seguinte foi caracterizar o alvo molecular responsável por esse efeito observado.

“Nossos estudos anteriores já mostravam que a cafeína se liga a um receptor celular chamado A2A para adenosina e queríamos demonstrar que manipulando farmacologicamente ou geneticamente esse receptor conseguiríamos interferir nos resultados”, disse o pesquisador.

Existente em grande quantidade nos neurônios, o receptor A2A se liga a uma substância chamada adenosina, um dos componentes da molécula de ATP (adenosina trifosfato), que é essencial para o metabolismo energético.

“Quando há uma situação de estresse ou qualquer disfunção no sistema nervoso, ocorre um maior consumo de ATP, consequentemente uma maior liberação de adenosina. A adenosina em excesso se liga aos receptores A2A e desencadeia um efeito em cascata que faz esse sistema trabalhar ainda pior”, contou Cunha.

Como a cafeína também se liga ao receptor A2A, acrescentou o pesquisador, ela bloqueia a ligação com a adenosina, impede o efeito em cascata e reequilibra o sistema.

“Por isso, quando estamos cansados e consumimos cafeína, por exemplo, nos sentimos mais alerta. Ela também aumenta a tolerância a vários sinais que podem causar hiperirritabilidade no indivíduo”, explicou Cunha.

Em um dos experimentos, o grupo administrou ao mesmo modelo animal o fármaco istradefilina, que também inibe a ação do receptor A2A e tem sido usado no tratamento da doença de Parkinson.

Nesse caso, também foi observado no grupo de camundongos tratados um menor desenvolvimento de sintomas depressivos em comparação ao controle.

“Fizemos o nocaute do gene que expressa o receptor A2A para mostrar que isso conferia o mesmo efeito protetor da cafeína. Fizemos também o nocaute apenas em neurônios principais para mostrar que o efeito que observamos está presente diretamente no neurônio e não depende de interação com outros sistemas”, explicou.

Os resultados mais recentes da pesquisa foram divulgados em maio na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Na avaliação de Cunha, os achados corroboram o que já havia sido demonstrado em estudos epidemiológicos com humanos.

“Um deles acompanhou ao longo de vários anos mais de 50 mil enfermeiras no Havaí, uma ilha onde todos têm estilo de vida e alimentação muito semelhante. Concluiu-se que aquelas que consumiam cafeína apresentaram menor necessidade de ajuda do ponto de vista psiquiátrico”, contou Cunha.

Ele ressalta, porém, que novos estudos precisam ser realizados para validar o receptor A2A como um alvo terapêutico em humanos.

“O grande problema de transpor essa informação para o homem é que somos sempre mais complicados. O receptor é uma proteína formada por uma cadeia de aminoácidos e essa cadeia pode ter pequenas variações de acordo com cada indivíduo. Isso é o que chamamos de polimorfismo genético e é o que faz as pessoas serem mais ou menos sensíveis à cafeína”, explicou Cunha.

O grupo de Coimbra também investiga se a inibição do receptor A2A pode prevenir as modificações cognitivas associadas a doenças como Alzheimer.

“Em estudos anteriores com modelos animais de Alzheimer, vimos que, quando se iniciam os problemas mnemônicos, o número de receptores A2A aumenta consideravelmente. Isso parece ser uma das causas da patologia e representa também uma oportunidade de tratamento”, disse.

O outro lado
No trabalho coordenado por Christophe Bernard no Institut de Neurosciences des Systèmes (INS), ligado à Aix-Marseille Université da França, foram avaliados os efeitos do consumo da cafeína durante a gestação e a lactação em camundongos.

Também nesse caso, as fêmeas de camundongo foram habituadas a ingerir cafeína na água, em concentrações equivalentes a duas ou três xícaras de café por dia.

Depois era feito o cruzamento e mantida a oferta de cafeína durante a gestação e o período de lactação.

Os resultados foram publicados em 2013 na revista Science Translational Medicine.

“Observamos que a cafeína causa um atraso na migração para o hipocampo [região cerebral relacionada com memória e percepção espacial] de um grupo específico de neurônios gabaérgicos [que secretam ácido gama-aminobutírico]. Eles atingem o alvo, mas com um atraso de vários dias. Isso atrapalha o processo de construção do cérebro e causa um desequilíbrio”, contou Bernard à Agência FAPESP.

O efeito foi observado tanto na análise do tecido cerebral de camundongos quanto de macacos, que apresentam maior semelhança com os humanos.

Análises in vitro mostraram que, quando a cafeína se liga ao receptor A2A nos neurônios, a velocidade de migração é reduzida em 50%. “Isso sugere que a adenosina seja necessária para o processo de migração e essa é uma das coisas que estamos investigando atualmente”, contou.

O grupo francês também avaliou os efeitos desse atraso na migração neuronal nos filhotes e, posteriormente, nos camundongos adultos.

“Em decorrência do desequilíbrio causado pelo atraso dos neurônios, os filhotes se tornaram mais suscetíveis a sofrer de epilepsia e a apresentar convulsões febris. Apresentam um limite de tolerância ao aumento da temperatura corporal cerca de 1,5 grau Celsius menor”, contou Bernard.

Ao avaliar os camundongos já adultos, os cientistas notaram que outro grupo diferente de neurônios gabaérgicos estava faltando, causando, novamente, um desequilíbrio no funcionamento do cérebro.

“Testes comportamentais mostraram que a memória espacial nesses animais é menos eficiente que as dos camundongos controle. É um efeito sutil, mas está presente. Claro que se a cafeína estivesse causando algo realmente ruim no cérebro todos nós já saberíamos”, disse.

Bernard defende a necessidade de os profissionais de saúde investigarem o consumo materno de cafeína durante a gestação quando atenderem em hospitais crianças com crises convulsivas.

“Dessa forma poderíamos tentar ver se há também em humanos uma correlação entre consumo de cafeína e aumento na probabilidade de ter epilepsia.”

Limite de segurança
Presente não apenas no café como também em diversos tipos de chá, refrigerantes, chocolates e bebidas energéticas, a cafeína é de longe a substância psicoativa mais consumida no mundo e não há consenso sobre qual seria o limite diário de segurança.

Segundo relatório publicado em maio pelo comitê científico da European Food Safety Authority (EFSA), o consumo de até 400 mg ao dia (cerca de 4 xícaras de café) por indivíduos adultos com em média 70 kg e que não estejam gestantes não representaria riscos significativos de saúde. Para mulheres grávidas ou lactantes, o valor supostamente seguro seria de 200 mg ao dia.

Bernard defende a necessidade de realizar estudos clínicos que confirmem se a quantidade de 200 mg ao dia é de fato segura para o desenvolvimento cerebral durante a gestação ou se pode representar um fator de risco para o desenvolvimento de patologias na vida adulta.

“No trabalho de 2013, avaliamos apenas o hipocampo. Agora estamos olhando o cérebro mais globalmente e vendo que outras regiões, como o córtex, também são afetadas, pelo menos em camundongos. Em um modelo animal de Alzheimer, estamos investigando se o consumo de cafeína na gestação pode facilitar de alguma forma o desenvolvimento da doença”, contou.

Fonte: Exame.com

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Crato (CE): Para Ronaldo, Expocrato deve ser usada como instrumento para desenvolver o município

O prefeito do Crato Ronaldo Gomes de Mattos avalia como positiva a Expocrato  2015. “Apesar da crise tivemos boas vendas, como tomamos conhecimento”, afirmou, lembrando que o agronegócio e o turismo são duas vocações  do Crato que precisam ser incentivadas.

Para o prefeito a Expocrato é o espaço ideal para alavancar negócios e investimentos para o Crato. Segundo Ronaldo, a sua missão é buscar que novas empresas queiram investir em Crato. Ele citou o exemplo das últimas ações em buscar de trazer para o Crato a Ale Sat e a Ford Caminhões, bem como, intensificar os entendimentos para uma política de desenvolvimento econômico no Crato, fortalecendo  e implantando o Distrito Industrial.

Para Ronaldo Mattos "a Expocrato é uma das festas mais importantes do Nordeste e do Brasil e deve ser usada para alavancar o  desenvolvimento da cidade”, afirmou.

Nesta semana, como parte das ações de busca de novos investimentos para a cidade, técnicos e executivos da Ale Sat estarão em Crato para continuar o diálogo com a prefeitura. O prefeito quer sugerir que essa empresa se instale no Distrito Industrial, sendo a primeira grande empresa a se instalar no local.

Assessoria de Imprensa/PMC

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Fisiculturista morre de câncer no fígado após dieta cheia de proteína

Os músculos sempre foram a obsessão de Deam Wharmby, um personal trainer de 39 anos. Em busca do corpo perfeito, o inglês apostou em uma dieta de 10 mil calorias ao dia, incluindo no cardápio hambúrgueres, pizzas, bacon e as mais variadas bebidas energéticas. No entanto, o resultado dessa rotina arriscada foi exatamente oposta ao que Deam esperava.

De musculoso e saudável, ele passou a um homem doente, em estado terminal. Deam morreu esta semana de câncer no fígado, e, pouco antes de partir, admitiu que talvez seus hábitos alimentares tenham sido responsáveis por sua doença.

Em uma página no Facebook, Dean decidiu contar sua batalha contra a doença, e atraiu mais de 10 mil seguidores. Em vídeos e mensagens, ele tentava se mostrar otimista, além de apresentar aos fãs sua opção de combater o câncer utilizando a medicina natural, junto com uma alimentação que incluía vitaminas, comidas sem açúcar e nenhuma carne.

A mulher de Dean, Charlotte, ficou responsável por atualizar as notícias sobre o quadro de saúde do marido durante o tratamento. Segundo ela, Dean foi um lutador, que nunca desistiu.

— Enquanto outras pessoas desmoronam, ele mantinha um sorriso no rosto. Ele tinha crenças muito fortes, e sei que, agora, ele está livre do sofrimento.

O câncer foi diagnosticado em 2010, e já naquela época o personal trainer entendeu que sua dieta baseada em altas doses de proteína poderia ter uma grande relação com a doença. Na época, ele escreveu suas impressões.

— Foi porque eu estava tentando ficar o maior que pudesse. Não temos como ter certeza, mas coisas como energéticos são fatores que devem ter contribuído. A carne vermelha também. Acho que foi uma combinação de tudo.

Dean foi fisiculturista por 20 anos. Ele admitiu que tomou esteroides para aumentar o corpo, e justificou que fez isso “porque todo mundo fazia”. No entanto, Dean desistiu dos anabolizantes assim que entrou para os negócios como personal trainer.

Além dos grandes alimentos clássicos de quem quer ficar grande, como shakes de proteína, ovos, frangos e batata doce, Dean também consumia quantidades exorbitantes de pizzas, sanduíches e lanches gordurosos.

Os médicos ofereceram a Dean tratamentos como quimioterapia e um transplante de fígado, mas ele preferiu a medicina natural.

— Recusei logo de cara, e a maior razão para isso foi porque eu queria viver, e não morrer.

Por um ano, a escolha de Dean funcinou: seu tumor desapareceu. No entanto, ao recair na dieta de antigamente, em 2013 ele se sentiu mal novamente, e precisou ser internado. O câncer já estava grande demais para ser operado, e tudo que restava à família era esperar. No último domingo (19), a mulher do personal trainer escreveu na página do marido no Facebook que ele, finalmente, havia descansado.

— Ele agora está bem, livre de toda a doença e da dor, e viverá perfeitamente e de maneira pura, para todo o sempre.

Fonte: R7

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Avaliação negativa do governo Dilma sobe para 71%

A avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff caiu para apenas 7,7 por cento, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira, enquanto 70,9 por cento avaliam negativamente o governo da petista.

No levantamento anterior realizado em março, 10,8 por cento consideravam o governo Dilma ótimo ou bom, enquanto 64,8 por cento tinham avaliação ruim ou péssima.

De acordo com o levantamento divulgado nesta terça-feira, 20,5 por cento consideram o governo regular, contra 23,6 por cento em março.

Na pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, o instituto MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 12 e 16 de julho. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais.

Fonte: Exame.com

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